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Mobilidade x Portabilidade

14/03/2006 às 21:55

Lendo um ótimo artigo entitulado Who Designed This Crap? recentemente no MobilityGuru me fez lembrar de algo que vários amigos andam reclamando de uma safra de notebooks pesadões, gigantescos, muito poderosos, mas pouquíssimo práticos para quem precisa de grande mobilidade e passa pelo menos 20% do tempo fora do escritório ou precisa viajar muito. Ele conta a crônica de como gerentes de uma agência governamental de assistentes sociais conseguiu trocar papel e lápis por um "lápis de 11 libras".Bem, primeiro vamos resolver a questão semântica:
Mobilidade: entendo como a facilidade de acessar recursos de informática (entrada de dados, web, e-mail, consulta a dados) fora do ambiente principal de trabalho, podendo estar em movimento ou não. Também considero o uso do equipamento sem precisar de uma fonte de energia por pelo menos 4 horas de uso e poder usá-lo em pé. Exemplos de dispositivos móveis são o o Smartphone, PocketPC e Palm.

Portabilidade: um equipamento que reúna, de forma compacta, uma representação do que você possui no seu ambiente de trabalho ou em casa, mas de forma que ele possa ser facilmente movido de lugar sem necessidade de usar componentes múltiplos como monitor, teclado, mouse. O melhor exemplo é um notebook de alta performance. Tela, teclado, mouse, internet wireless e pelo menos 1 hora de bateria sem necessidade de um cabo de força e com recursos de processamento equivalentes a qualquer bom desktop.

E aí muitos usuários de notebook ficam frustrados quando compram o supra-sumo da performance e começam a ter dores de coluna, porque saem do escritório para fazer visitas em clientes e precisam carregar um trambolho de 5-6 quilos para cima e para baixo. Quando chegam no local, não existe uma mesa disponível e a tomada mais próxima pode não estar tão disponível assim. Provavelmente você irá incomodar alguém. Além disso, será preciso uma mesa.

O artigo é interessante porque mostra exatamente essa situação: uma pessoa com um computador de 5 quilos, com pouca bateria e que trabalha em pé, porque os gerentes acharam que iria aumentar a produtividade. Antes, o trabalho era feito com um caderno de formulários e preenchimento à lápis. Depois, os dados eram digitados no computador, alimentando o sistema. Vendo que eram gastos 2-4 horas para fazer esse trabalho de digitação, os gerentes decidiram que todos eles deveriam carregar notebooks e foi feita uma enorme compra com dinheiro do contribuinte. Resultado? Os funcionários continuam usando papel e lápis e agora usam o notebook ao invés do desktop, em casa e levam de 2-4 horas para digitar os dados.

Isso é um erro clássico de gerência ruim, onde a pessoa que toma as decisões não conhece absolutamente nada das tarefas diárias de quem trabalha para ela. Deve-se primeiro pesquisar como os recursos de informática serão utilizados. O exemplo do funcionário que trabalha em pé e precisa de 6 horas sem uma fonte de energia é o caso clássico para uso de um Handheld, TabletPC ou Notebooks ultra-leves e híbridos com capacidade de escrita em tela. Quem nunca fez um serviço assim, experimente segurar um pacote de arroz de 5 kg durante 10 min como se fosse um caderno no seu braço e imagine fazer isso durante 5 horas.

O erro consiste em colocar todos os notebooks na mesma categoria e considerar gadgets brinquedos ao invés de ferramentas. Por exemplo, um engenheiro que vai num pátio de obras poderia incrementar sua inspeção com uma câmera digital embutida num dispositivo móvel, em que ele(a) pudesse colocar notas curtas junto de cada uma, juntar tudo num documento para poder concluir o mesmo documento mais tarde, no escritório. Esse cenário é comum... na Finlândia, terra da Nokia. 🙂

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