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Ken Levine não aprova cineastas nos games

Criador do Bioshock solta o verbo e diz que não vê necessidade em cineastas fazerem jogos.

12/10/2010 às 10:12

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A aproximação de grandes cineastas ao games já é bem antiga e acho que em determinados aspectos ela foi muito boa. Quando o Spielberg emprestou seu conhecimento à produção do primeiro Medal of Honor, pudemos ver que era possível um FPS se aproximar do cinema e mesmo o Undying, que não chegou a ser um enorme sucesso teve seu roteiro beneficiado pelo talento de Clive Barker.

Mesmo assim, será que o mundo dos videogames precisa dessa aproximação? Já não teríamos bons game designers demais por aí para que os tubarões de Hollywood precisem deixar de lado aquilo que eles sabem fazer de melhor e se aventurarem pelos jogos eletrônicos? Pois o competente Ken Levine, criador dos aclamados Bioshock e System Shock 2 acha que isso não é necessário e que a mídia não está tão mal preparada quanto alguns pensam.

Recebi a oferta de fazer um jogo com um diretor de cinema, um bastante talentoso. Os executivos de Hollywood disseram que eles realmente gostaram do que eu estava fazendo e queriam compartilhar que isso – aquele projeto com diretores criativos de games e filmes – seria incrível. Meu pensamento foi, porque? Porque algum game designer iria querer fazer isso? Qual o ponto em ter dois diretores criativos juntos e porque eu gostaria de ter um diretor de cinema me ajudando a fazer um jogo, mais do que ele gostaria de receber minha ajuda ao fazer seus filmes?

Levine então reclama de que no ramo do entretenimento os videogames são tratados como um meio imaturo, que sente como se os cineastas olhassem para os game designer com um ar de superioridade e questiona os profissionais do cinema que se metem a criar jogos, mesmo sem ter nenhum experiência com isso, citando inclusive a recém revelada tentativa de Guillermo del Toro, que fechou um contrato com a THQ.

Por fim, ele critica a obsessão dos criadores de jogos em tentar abarrotar suas criações de conteúdo, dizendo que “adoro quando os desenvolvedores dizem ‘no nosso jogo temos 800 linhas de dialogo’. Quero dizer, quem dá a mínima? Esse é o ponto de partida? ‘Temos 600 horas de cut-scenes’. E daí? Como escritor, volume é a parte fácil. Posso te dar as suas 800 linhas de diálogo amanhã.

Mesmo concordando em partes com Levine, acho que extremismos nunca são saudáveis e penso que devemos deixa os cineastas apostarem suas fichas na criação de jogos, sentirem como é a experiência e se quebrarem a cara, que voltem ao cinema. Quanto as possíveis porcarias que sairão disso, prefiro pensar mais como Jun Takeuchi e torcer para que os jogadores enterrem “a obra”.

[via Develop]

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