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Kodak Portra 400 – O filme não morreu (será?)

01/10/2010 às 14:36

A Kodak é uma empresa misteriosa. Foi a pioneira no mundo da fotografia amadora quando George Eastman colocou no mercado a primeira câmera fotográfica com filme de rolo. A invenção permitiu que qualquer cidadão pudesse fazer uma fotografia, ato que estava reservado apenas a profissionais ou amadores que tivessem grana para investir em produtos químicos, câmaras e emulsões. Infelizmente, a mesma Kodak perdeu o bonde da história ao não apostar na tecnologia digital quando teve chance. O pensamento da empresa era que os consumidores não iriam trocar a qualidade do filme fotográfico por uma tecnologia que ainda estava engatinhando. Quebrou a cara e só recentemente está correndo atrás do prejuízo, sem muito sucesso.

Agora, um pouco desse pensamento voltado para o passado está aflorando novamente. A empresa acaba de colocar no mercado um novo filme fotográfico. O Kodak Portra 400 está chegando para substituir os antigos filmes profissionais Portra 400NC e 400VC. Mas, o que levaria a empresa a nadar contra a correnteza e colocar um novo produto dessa linha no mercado? Scott DiSabato, Diretor de Marketing da empresa afirmou, em entrevista ao British Journal of Photography, que a empresa não é maluca em investir em um produto que não vai trazer retorno, que as vendas de filme colorido se mantiveram estáveis durante o ano passado e que a Kodak está apostando em um ressurgimento do filme como base fotográfica. Fica claro na entrevista que a empresa está apostando nos usuários mais jovens, pois eles são apresentados ao filme nos campus universitários e acabam pegando gosto pela coisa.

Sinceramente? Vou ser apedrejado pelo o que vou falar agora, mas acho que o filme fotográfico está fadado ao esquecimento. Fotografar com o digital é sim mais fácil e prático (só poder escolher o ISO e o Balanço de Branco sem precisar trocar o filme ou filtros coloridos já vale a troca) e sem falar que é ambientalmente mais correto. Eu tenho a preocupação de me livrar corretamente dos produtos químicos da revelação, mas não são todos que possuem essa consciência. Logo, o filme vai estar restrito a um pequeno grupo de entusiastas e artistas que vão usar o processo apenas como forma de expressão artística. Para se ter uma noção, em visita ao maior minilab profissional aqui da região, fiquei sabendo que atualmente o fluxo de filmes fotográficos para revelação fica em torno de 15 rolos por semana. E a tendência é uma diminuição dessa quantidade.

Indo exatamente ao contrário nessa maré, a Fuji anunciou recentemente o cancelamento da linha de cromos Sensia Daylight. Todas as sensibilidades do filme (ISO100, ISO200 e ISO400) tiveram imediata suspensão de produção. A causa foi o alto custo de produção e queda da procura pelo produto. Tanto a produção do filme quanto o processo para a revelação vão ser extintos. A Fuji garante o processamento de todos os filmes que já foram vendidos e que o estoque no Reino Unido (por exemplo) deve durar até dezembro.

Como vemos, são duas situações totalmente opostas. Talvez o histórico recente da Kodak aponte para uma decisão errada, mas em médio prazo o filme fotográfico ainda deve ter uma procura significativa. Eu não apostaria na sobrevida da empresa, que já se encontra em sérios problemas financeiros, sem uma política de inovação dentro da linha digital.

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