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mode con cp prep=((860,,865) EGA), de novo?

28/09/2010 às 12:03


Você não lembra desses comandos? Não perdeu nada. Antigamente (e bota atigamente) tínhamos que definir no boot da máquina qual tabela de caracteres o computador iria utilizar. Existam umas 7437 tabelas, todas incompatíveis, isso significava que em CP (codepage) 837 o caracter era um "é", em CP 470 era um "ž" e em CP728 colocava o NORAD em DEFCON 3.

Com o advento do Windows isso melhorou, MUITO. Posso dizer que com o Windows 98 codepage hell já era coisa do passado, exceto no serviço público, mas pelo visto como bom zumbi, essa praga se recusa a morrer. A culpa agora é dos DVRs, aqueles videocassetes 2.0 que surgiram com o TIVO, que toda quitanda nos EUA vende mas aqui no Brasil virou oligopólio das operadoras de cabo então custa uma fortuna.

A casa caiu com o lançamento da série "$#*! My Dad Says", baseada no twitter @shitmydadsays. Isso já foi o suficiente pra um monte de gente dar piti, afinal OH! estão SUGERINDO um palavrão no nome da série, que absurdo! Só que esse nem é o maior problema da CBS, a shit acertou o ventilador neste post no fórum da série, quando alertam para o fato de um monte de DVRs não conseguir encontrar a série, pois se confundem com os caracteres usados para o eufemisto de shit, "$#*!".

Aparentemente anos de evolução no software produziu sistemas que são uma grande merrrcadoria (se eles podem eu também posso) e só disponibilizam teclados para buscas alfanuméricas, sem possibilidade de caracteres de símbolos. A grande maioria desses sistemas é Linux, mas seria injusto culpar o pinguim por isso. Soube de fonte segura que baixando um patch do servidor pessoal do Stallman e recompilando o Kernel, o Ubuntu fica até com cedilha 😉

A culpa é da preguiça. Quanto menos variedade a suportar, melhor pra quem tem que dar manutenção. Agora imaginem um DVR desses lidando com filmes estrangeiros. E nem falo de coisas simples como idiomas latinos e seus n com tils e interrogações invertidas, falo daquelas línguas escandinavas que parecem klingon.

Hoje vivemos a ilusão de que é possível copiar um texto de qualquer lugar para todo lugar e tudo automagicamente se resolve, mas não é assim que a banda toca. Quem teve que fazer migração de bancos de dados de fabricantes diferentes sabe o que é isso. Só digo uma palavra assustadora: COLLATION.

Manter integridade de dados é algo complicado, mas de nada adianta se a sua interface não permite ao usuário pesquisar por esses dados. Acha simples? Já vi sites que não indexavam palavras de menos de quatro letras, sendo que a minha busca tinha três letras. É preciso brigar contra essas limitações artificiais impostas pelo pessoal do marketing, pois quando a bomba estoura a culpa vai ser SEMPRE uma "limitação técnica", mesmo que a área técnica tenha esperneado contra os atalhos, cortes e gambiarras.

Fonte: Gearlive

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