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O nome do jogo é: URBEX

Conheça o Urbex, movimento que vai até onde ninguém quer ir e traz imagens grotescas de lugares esquecidos.

27/09/2010 às 10:37

por Andre Govia, 2009

O nome do jogo é Urbex e os pontos são marcados quando o registro da nossa decadência é convertido em pixels e arte.

Também conhecido como UE (Urban Exploration), o Urbex é um novo e interessante braço da fotografia moderna que tem causado tanto apelo artístico e de intervenção, como também críticas e o levantamento de inúmeras questões éticas e de segurança.

A coluna vertebral do movimento de Exploração Urbana ocorre quando o exame crítico pelas vias da fotografia (profissional ou amadora) acontece fora dos limites públicos da cidade. É quando ela invade ambientes abandonados, restritos e até mesmo proibidos que estão encarnados na fibra e na trama das grandes cidades onde o Urbex nasce.

É como hackear todo um ambiente que, por alguma razão, não mais faz parte da pulsação industrial dos grandes centros e registrar a estática dos momentos que um dia estiveram ali. Naturalmente, trata-se de um novo ofício onde à medida que sua popularidade vai aumentando, mais cresce o número de elementos que passam a justificar algumas das suas já pesadas críticas.

Invadir um hospital abandonado há mais de 50 anos, o underground da cidade-luz ou um antigo bunker de guerra romeno podem ser tarefas com estética e valor artístico incomensuráveis, mas também trazem consigo inúmeros riscos de segurança para o "artista" ou interventor.

Hellingly Hall, hospital psiquiátrico abandonado em East Sussex, Reino Unido.

Se não corre nas suas veias o desejo de planejar como escapar de rottweilers cascudos e detectores de movimento, alarmes e gastos com mil traquitanas para prevenir que uma multitude de fungos e produtos químicos decidam ser inquilinos permanentes da sua pleura, o Urbex não é para você.

Pior ainda se você não tem a menor inclinação (artística ou aventureira) para invadir catacumbas, prédios abandonados, locações ativas porém suspeitas, túneis, esgotos e outros inferninhos que ninguém quer ver de perto.

UEers defendem com todos os parafusos de suas câmeras que o movimento é qualquer coisa menos vandalizar locações com graffiti e pichação, destruir, pilhar ou invadir a propriedade alheia e não reconhecer limites. Todavia, é necessário que certos limites sejam transgredidos para que o Urbex se manifeste nas lentes de seus padrinhos. Mesmo não havendo um código de conduta para o movimento, há uma espécie de regra não escrita a que todos prestam compromisso, que é:

  • Entrar;
  • Não levar nada, exceto imagens;
  • Não deixar nada, exceto pegadas;
  • Sair.

Nada mais, nada menos.

Os caboclos do TerraStories publicaram um guia básico bastante interessante para o UEers de primeira viagem. Muito dessa vontade de falar mais sobre o movimento vem da quantidade asfixiosa de fotógrafos que aderiram à prática e que acabaram parando no PS com uma infinidade coceirenta de alergias, intoxicações por chumbo, fungos e monóxidos. Há um jeito, e apenas um jeito, de capturar a memória perdida dos grandes centros através do Urbex. E esse jeito é: o jeito seguro.

Antigo páteo de uma mina de carvão abandonada no interior da Alemanha

Qualquer coisa longe disso pouco tem a ver com a substância promissora e valorosa deste curioso movimento e não passa de mais um tipo imbeota de "trollagem" silenciosa, só que de corpo presente — algo extremamente raro entre as tais criaturinhas — leia-se: contemplação e presença real.

Algumas referências bacanas para quem quer ir além da nota:

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