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Software livre mantém o OS/2 vivo

18/02/2006 às 1:39

Este ano completa-se uma década desde o lançamento oficial da última versão do OS/2 Warp. A versão 4, de 1996, trouxe muitas novidades, inclusive reconhecimento de voz integrado ao sistema operacional. Desde então houve apenas alguns updates, uma versão 4.5 e a entrega do sistema base para a Serenity que mudou o nome para eComStation o o comercializa até hoje com uma interface muito parecida com a original. A IBM realmente abandonou oficialmente a plataforma e nada indica que algum dia haverá uma nova versão do OS/2 Warp. Mesmo com os pedidos da comunidade da liberação do código, negados pela IBM sob o argumento de que software proprietário de terceiros (Microsoft inclusa) impediriam a liberação, a plataforma parou no tempo graças ao abandono. Abandono?A comunidade de usuários de OS/2 mantém seu número estável, diz Adrian Gschwend do Netlabs, uma espécie de SourceForge para OS/2, em entrevista ao NewsForge. Segundo o artigo o OS/2 mantém usuários fieis em todo o mundo graças ao seu kernel sólido, grande estabilidade, pouco consumo de recursos do sistema e baixo número de falhas de segurança e bugs encontrados. Mas como os usuários podem continuar com um sistema lançado há 10 anos atrás? Você consegue se imaginar usando Windows 95 até hoje?

A Serenity, herdeira da plataforma, têm atualizado o sistema e incluído as tecnologias mais recentes, verdade. Mas o que tem mantido as engrenagens do OS/2 funcionando é o software livre com fonte aberto. Projetos de software livre para OS/2 são bem comuns, basta uma googlada para perceber, e eles tem dado contribuições importantes para a sobrevida da plataforma. Drivers de som, vídeo, e até implementações de X11 livres tem sido usadas pelos usuários para manter as coisas funcionando.

Mas porque usuários continuam usando uma plataforma tão antiga? Segundo Bob St. John, diretor de desenvolvimento de negócios da Serenity, é porque o OS/2 possui características que nenhum outro sistema possui. Como exemplos ele cita o REXX, uma linguagem interpretada orientada a objetos muito fácil de aprender e usar; e a interface gráfica do OS/2, a WorkPlaceShell. A WPS apresenta um sistema de classes orientadas à objeto que é completamente extensível. Na WPS pode-se escrever subclasses de objetos baseadas nas classes originais para criar aplicativos e componentes da interface gráfica. E essas subclasses podem até substituir as classes originais, sem que o programador precise de acesso ao seu código. A rigor pode-se reformular toda a interface e adicionar nela o que se queira, sem acessar código proprietário. Nenhuma outra interface gráfica do mundo permite essa flexibilidade. E existe um projeto chamado Voyager, que busca reimplementar a WPS apenas com código livre. Isso tudo permite que a comunidade possa manter a aparência e o funcionamento do sistema atuais, portanto funcionais.

Isso tudo aliado ao fato de que muitos projetos livres de outras plataformas, inclusive o Linux, estão provendo código e aplicações atuais para o OS/2 faz com que a comunidade de usuários permaneça fiel e acreditanto que o OS/2, mesmo já tendo sido morto e enterrado pela IBM, ainda terá vida longa e próspera, enquanto a comunidade quiser. Essa situação também serve para ilustrar o poder do Software Livre, de entregar ao usuário as decisões sobre o que ele vai usar e como será o produto.

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