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Afinal, quão rápido é um ARM?

12/09/2010 às 0:07

Vira e mexe, nós aqui do Meio Bit especulamos sobre um possível embate entre Intel e ARM. Até alguns devaneios sobre a possibilidade de rodar Windows sobre o ARM já apareceram. Mas um ponto decisivo ainda não foi completamente elucidado: afinal de contas, em relação aos chips x86, quão rápido é um ARM?

É uma pergunta complicada, claro. Comparações de velocidade entre plataformas diferentes podem ser bem difíceis de se fazer. Confiabilidade, então, depende do humor de cada fabricante…

Por isso mesmo, me chamou a atenção uma análise feita pela Pengutronix, empresa alemã especializada em GNU/Linux® embarcado: eles usaram várias plataformas ARM (9, 11 e Cortex-A8) de um lado, contra o Atom Z510 do outro e um kernel 2.6.34.

Entre os ARMs, as plataformas escolhidas foram:

  • PXA270 (ARM9), da Marvell, rodando a 520MHz, SDRAM;
  • i.MX27 (ARM9), da Freescale, rodando a 400MHz, DDR;
  • i.MX35 (ARM11), da Freescale, rodando a 532MHz, DDR2;
  • duas versões de placas com o chip OMAP3530 (Cortex-A8), da Texas Instruments, rodando a 500MHz, DDR;
  • Atom Z510, da Intel, rodando a 1100MHz, DDR2.

Disparate entre os clocks? Tudo bem, basta fazer a relação de performance por clock.

O primeiro teste foi o de multiplicação em ponto flutuante. Lembrando que nem o PXA270 nem o i.MX27 têm unidades de ponto flutuante, o resultado foi o seguinte:

Processador Tempo [ns]
PXA270 50,9
i.MX27 72,39
i.MX35 15,08
OMAP-EVM 20,13
OMAP-Beagle 20,11
Atom Z510 4,57

Vejam que interessante: o ARM11 é mais rápido (neste teste, claro) que seu irmão mais novo, o Cortex-A8. E, considerando o clock de 1,1GHz do Atom (o dobro do ARM11), nota-se que seu desempenho é muito melhor, já que gastou 30% do tempo do i.MX35.

O relatório é muito interessante e compensa a leitura. Ao final, o que se conclui é o seguinte: um ARM11 (ou um Cortex-A8) rodando a velocidades próximas a 1GHz, pode ter desempenho semelhante a um Atom, o que já seria suficiente para, por exemplo, rodar Windows ou GNU/Linux® com agilidade semelhante ao processador da Intel.

Ainda há que se considerar os novíssimos Cortex-A15, anteriormente conhecidos como “Eagle”. Mudanças importantes foram introduzidas na arquitetura, visando o mercado de servidores. Agora, o espaço de memória pulou de 32 para 40 bits, permitindo acesso a até 1TB (não linear, mas através de páginas), instruções de virtualização foram incorporadas e melhorias no processo de execução fora-de-ordem.

Os novos chips terão dois ou quatro núcleos, rodando a até 2,5GHz. Um “Atom killer”? Samsung, ST-Ericsson e Texas já licenciaram a arquitetura e a Apple parece estar negociando.

Será que desta vez é a Intel quem precisa se cuidar?

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