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LinuxCon: Admirável Linux Novo

Post sobre a LinuxCon 2010, que contou com a presença de Linus Torvalds.

01/09/2010 às 10:35

Ontem fui convidado para participar da LinuxCon 2010 e conhecer um ícone no mundo da tecnologia, e é claro que eu não podia deixar passar essa oportunidade. O dia começou em ritmo de missão impossível graças ao trânsito de São Paulo, e o trajeto de 45 minutos levou 2h15min, mas felizmente acabei chegando, e isso é que importa.

Jim Zemlin, diretor executivo da Linux Foundation, falou sobre a sua visão sobre o Linux, para onde o sistema está indo e o que está acontecendo com o mundo do desktop, citando alguns mercados, nichos e exemplos para ilustrar que o Linux é e será cada vez mais usado nos mais diversos aparelhos eletrônicos.

Ele deu quatro razões que mostram como a estratégia de usar Open Source traz uma enorme vantagem a companhias como a Google, Facebook e Amazon sobre as outras que usam software proprietário. Zemlin fez tanto sentido que pretendo escrever outro post com todos os detalhes sobre o que foi falado.

Depois quem subiu ao palco foi Dirk Hohndel, Chief Linux & Open Source Technologist da Intel Corporation, que falou bem rápido para ceder mais tempo aos demais participantes. O seu tema foi o projeto MeeGo, uma plataforma completamente open souce para rodar em netbooks, handsets, tablets, TVs... Enfim, onde você quiser instalar. O Meego é a fusão de dois outros projetos, o Moblin e o Maemo.

No meu entender o Meego tem muito futuro, pois é um projeto Open Source que dá uma opção universal para diversos aparelhos diferentes e ainda de quebra permite que você tenha de forma unificada um mercado para distribuição de software como o iTunes ou OVI, entre outros.

O próximo a falar foi Ian Pratt, Vice Presidente de Produtos da Citrix e Arquiteto Chefe do Projeto Xen. Devo confessar que fiquei extremamente entusiasmado com o que ele falou sobre virtualização. Eu uso virtualização a nada menos do que 10 anos e embora já tenha ouvido falar do Xen, acreditava que usava o que havia de melhor, uma solução proprietária líder do mercado.

Pelo que vi, não podia estar mais enganado. Finalmente depois de uma vida de tecnologia caiu a ficha do que significa Open Source, pois nenhuma empresa pode competir diretamente já que não teria recursos suficientes para trazer tantas inovações como as que o Open Source oferece. Vale à pena lembrar que empresas líderes no mercado como Microsoft e Apple se valeram da tecnologia de outras empresas com filosofia Open Source para desenvolverem a sua própria e acabam limitadas pelo paradigma que isto cria.

Voltando ao Xen, não vejo a hora de ganhar mais experiência com ele, pois inúmeras empresas 500 usam a tecnologia e é bem capaz de você leitor por tabela usar e nem saber. Empresas que se utilizam do “Cloud” são as que mais aproveitam essa tecnologia, que é usada para focar e canalizar as máquinas físicas em infra-estrutura de máquinas virtuais.

O que me fez mudar de posição entre usar o software proprietário para um Open Source ? Simples, macaco vê, macaco faz... Após a apresentação em um notebook do Projeto XEN Client, que é voltado para o mercado de computadores pessoais ao invés de servidores.

Nesse notebook haviam quatro máquinas virtuais rodando, a parte de vídeo acelerado funcionando entre elas e o mais interessante é o conceito de que essas máquinas virtuais podem representar níveis diferentes de permissão e como exemplo ele deu o de uso corporativo e de uso pessoal. Vou tentar dar uma pincelada sobre isso aqui.

Ele demonstrou que no gerenciamento corporativo você pode ter controle absoluto e estar completamente protegido usando da tecnologia nos processadores mais recentes como execução de software confiável utilizando de encriptação, o que torna inviolável as ameaças comuns como keyloggers. Também explicou que a detecção nesses ambientes não precisam estar limitadas ao cliente e tornando o gerenciamento dessas máquinas em uma forma mais centralizada, facilitando em muito a vida de quem trabalha com a infraestrutura e suporte desses ambientes.

Finalmente então chegou a hora do bate papo entre o Linus Torvalds, Andre Morton, (ambos mantém o kernel do Linux) e Jim Zemlin. Foi incrível ver ao vivo uma das figuras que mais influenciam a nossa vida sem ao menos sabermos. Embora companhias como Microsoft, Apple e outras estejam em destaque, quem trabalha com tecnologia sabe a importância da criação do Linux pelo Torvalds 19 anos atrás teve, tem e terá para todos nós.

Em um papo descontraído, que por si só poderia se desdobrar em vários posts, o que deu para notar é que a comunidade Open Souce é muito mais do que aquilo que ela aparenta, filosoficamente faz muito sentido e que mesmo em um ambiente onde esteja inerente a gratuidade do seu uso existe uma fonte de renda que pode e muito fazer dinheiro.

Esta comunidade é na verdade um exército de mentes criativas e comprometidas com seus objetivos pessoais e em grupo, com uma dinâmica fantástica que provoca e incita inovação e rejeita o conceito rígido de companhias privadas onde por questões de sobrevivência precisa “proteger” suas conquistas. No futuro farei um post exclusivo dessa conversa com os pontos que em minha opinião são mais significativos.

Depois de alguns minutos de conversa entre eles, o público teve a oportunidade de fazer algumas perguntas, mas infelizmente não consegui o microfone antes do tempo acabar. Antes de terminar, Jim pediu ao público que desse uma salva de palmas em agradecimento para o Linus pelo que ele criou.

Imediatamente após isso o Linus foi cercado de fãs que queiram tirar fotos e pedir assinaturas, acho que não é sempre que ele é recebido assim como uma celebridade. A verdade é que o cara inventou algo que ele acreditava que em alguns meses outra pessoa iria superar e ele ia deixar de lado, o que nunca aconteceu, pois o Linux tem se renovado a medida que novos desafios aparecem. É para mim o Admirável Linux Novo... Em constante renovação... E que seja assim para sempre.

Antes de ir embora, passei no stand da Linux Mall para dar uma olhada nas camisetas e marcadores de livro criados especialmente para o evento, e que contam com a marca do Meio Bit. Caso vocês tenham a oportunidade de ir ao LinuxCon (que acaba hoje), não se esqueçam de conferir!

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