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Eu não quero saber a sua localização...

Ao contrário do que a avalanche de notícias faz crer, redes sociais baseadas em localização não fazem sucesso. Por quê?

31/08/2010 às 13:48

Parte da indústria é movida por criar necessidades que, antes dos inventos que as soluciona, não existiam. Esse mantra é conhecido de todos, e vira e mexe uma novidade mostra que, apesar de tentarmos nos blindar contra esses impulsos, nem sempre esse escudo funciona a contento. Quem queria um tablet antes do iPad? Então.

Na Internet, acontece a mesma coisa. Ninguém sentia falta do orkut ou do Facebook antes dos mesmos terem sido criados, da mesma forma que, antes do foursquare explodir, ninguém sentia falta de informar a uma galera todo bendito lugar que ele frequenta. Mas... hey, temos uma falha aqui. Ainda hoje, após várias startups investirem pesado nisso, até o Facebook entrar na onda com o Places e o foursquare ter sido avaliado em US$ 115 milhões, as redes sociais baseadas em localização ainda não se popularizaram.

Um estudo da Forrester Research mostra que o público adepto desses serviços é formato por homens jovens da cidade bastante interessados em tecnologia — ou, para definir numa palavra meio controversa, geeks. Nos Estados Unidos, berço da maioria das "fads" que varrem a Internet, apenas 4% da população já experimentou serviços do tipo. Pior: apenas 1% os usa regularmente, no mínimo uma vez por semana.

Localização.

Localização. (foto por Nico Kaiser)

Recentemente, o foursquare virou notícia por ter atingido a marca de 3 milhões de usuários. O número, per si, chama a atenção, mas é quase nada perto dos 145 milhões de usuários do Twitter, ou do meio bilhão do Facebook.

Apenas dizer aos amigos aonde você está não é o suficiente para atrair usuários, e justamente por isso, startups que se seguram na localização estão investindo em novos incentivos. O foursquare, por exemplo, negocia promoções com estabelcimentos para quem fizer check-ins pelo serviço neles. A mesma tática é usada pela Shopkick, que distribui cupons de desconto para quem usa o serviço em determinadas lojas, como Best Buy e Macy's.

Será o bastante? É difícil prever, porque, aparentemente, não é a falta de incentivos que afasta as pessoas, mas sim a real necessidade de algo do tipo, somada à privacidade. Richard Sherer, escritor de 65 anos, parece ter resumido bem a questão na reportagem do The New York Times, fonte dessa reflexão:

"Não consigo pensar em ninguém que se importe com o local em que me encontro a cada minuto, com exceção de minha esposa — e isso [aonde estou] ela já sabe. Talvez seja uma coisa de geração. Quando nós, velhos cabeças-dura, partirmos, talvez isso não será mais um problema."

Sempre tenho o impulso de entrar de cabeça em novas redes sociais e coisas do tipo, mas ainda não fui pego pelas de localização. E você? Responda a enquete, vejamos como anda a situação no Brasil:


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