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Femtocells e Merakis... sabe como é?

02/09/2010 às 8:30

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Trocando em miúdos, é o tal conhecido APBS (Access Point Base Station). O Femtocell é uma tecnologia (ainda) emergente, não devidamente explorada e de baixo custo que permite ligações e conexões em ambientes domésticos direcionadas para redes como ADSL, cabo, etc. Você pode chamá-lo de "sua rede 3G pessoal/doméstica" que cairia bem como definição.

Concebido a partir de tecnologias de banda larga para telefonia celular (3G para cima), não tem qualquer pretensão de substituir outras como WiFi, WiMAX, 3G-4G mobile, nada disso... Até mesmo porque trata-se de um ponto de integração que facilita a conversa com todas essas alternativas.

O lance é navegar, conectar e falar via VoIP de maneira convergente e, o melhor: sem fio. O foco dos Femtocells é o UMTS, mas atualmente iniciativas consistentes de desenvolvimento estão sendo trabalhadas para GSM, TD-SCDMA, WiMAX e também LTE.

Recentemente, começou a surgir um barulhinho na indústria que indica que a Google já está muito bem testada em sua sede em Mountain View com uma rede baseada em Femtocell para (adivinha?)... sim, o Android OS e toda a família de mobiles, tablets e por aí vai. (Cumpadre, imagine um Android-Femtocell? Agora imagine o maior chute no traseiro que a Apple já sonhou em levar...)

Isso seria muito bacana. Especialmente porque a empresa já está com o olhão grande na Ubiquisys, uma fabricante calibruda de equipamentos Femtocell. Poderia até passar despercebida se já também não estivesse a conversar diretamente com empresas como a Clearwire Corp, uma outra nada pequenininha e que é especializada em redes de banda larga para internet móvel. Isso sem contar os inúmeros boatos sobre a compra dessa ou daquela outra empresa...

A performance dos Femtocells é ruim para longas distâncias, mas esse não é seu objetivo principal uma vez que o alvo são as redes pessoais e/ou domésticas. O maior dos problemas muitas vezes pode ser o compliance com os contratos de prestação de serviços das operadoras de acesso à internet.

Meraki_Indoor200808.jpg Também para longas distâncias e tecnologias para WLANs como as Merakis, por exemplo, praticamente todas as experiências de usuário final acabram lá atrás esbarrando em alguma peleja com a operadora; uma vez que você pega o sinal que compra dela e o redistribui em uma rede particular (como uma rede de mash-up, só que via outra tecnologia). A coisa pode degringolar fácil e o que se pode gerar de micro-operadoras digamos... piratinha-roots! não tem pula-pirata que dê conta.

E a coisa não precisa ser tão robusta para criar o mesmo tipo de caso. A própria Meraki, uma empresa inicialmente criada para levar conexão à internet via redistribuição de sinal em redes de WLAN privativas de longo alcance em áreas carentes — longe e carente mesmo, tipo Sahara ou no meio do Sudão — começou com a venda d'umas anteninhas bacanas de fabricação própria e a mesma idéia. Resultado: já teve o seu saculejo quando foi lançada. Quer dizer, nem tanto porque apenas as vendia... quem criava as "sub-operadoras" era quem comprava a anteninha (risos...)

Hoje, crescida e arrendondada em todas as pontas, a empresa oferece uma gama bem maior do que as duas anteninhas da época dos primeiros lançamentos e nos torna facilmente capazes de criar uma hotzone pessoal com cobertura de até 20 quilômetros de raio (sim, para os que não conhecem, pode pasmar mesmo!) e algo na casa dos milhares de caboclos conectados nela, ao mesmo tempo. Isso tudo com equipamentos baratos (mesmo), opções externas de carga solar, coisa fina.

Eu mesmo já tive a feliz oportunidade de utilizar uma das antenas em um projetinho experimental (das pequeninhas) para uma rede em um condomínio gigante e uma conexão da Virtua, na época, de apenas 2 mbps. Com justas duas semanas de testes tivemos a cabeça cortada pela ANATEL com um aviso da necessidade de uma licença que custa não sei quantos mil milhões (nem me lembro) e a possibilidade de ir em cana por redistribuir sinal como provedor, não sendo provedor, blá blá blá. Não fosse o contexto "experimental" do projeto e nenhum centavo ganho, o coronelismo da pior Internet do mundo ia nos fazer comer marmita fria no quartão de cimento. Eu e mais dois...

(Wi-HUG foi como alcunhei o projeto, que terminou por sofrer uma crise "embutecida" de raiva esquizofrênica e acabou virando bluetooth, se internando no meu portifólio e meio cabreiro com pessoas segurando palmtops/handhelds pé-de-chinelo) 🙂

Na Europa, por exemplo, existem trocentas startups e usuários como eu e você que desenvolvem cenários incríveis com wireless arquitetados mais pessoalmente. Agora, pergunta se a massa ouviu falar nisso aqui? Mai nem...

Até hoje, penso que a própria ANATEL faz de um tudo para que continue assim. Pode ser encrenca da minha parte, mas o que vou dizer? Que são fofinhos e amáveis? E o mundo anda: para frente. Mas aqui, coroné deixa não! Praticamente todos os protocolos, incluindo Femtocells, podem ser manipulados mais independentemente para trabalho ou uso pessoal.

O que você antecipa de controle, regulações e represálias das "porcarias" de operadoras que nos atendem hoje e dos organismos que as apóiam ao invés de as regular? Quer dizer, não atendem direito e também fazem a maior força política do baralho para não deixar nenhum refém escapar.

Já se imaginou fora disso... refenzão?

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