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[Post do leitor] Relato sobre o FISL 11

Leia o relato de um leitor que esteve no FISL 11.

09/08/2010 às 13:48

[No fim do mês passado rolou a 11ª edição do FISL, um dos (se não o) maiores eventos de software livre do Brasil. Nosso intrépido leitor Lucas Timm compareceu ao evento e tomou para si a missão de relatá-lo a nós, aqui do Meio Bit. Apreciem e sintam-se motivados a, em 2011, participar da festa também!]

FISL 11.

FISL 11 (foto por pedromenezes)

Fui ao FISL 2010. Pra quem não sabe, o Fórum Internacional de Software Livre é um evento realizado em Porto Alegre que convida, anualmente, uma pá de personalidades do mundo software livre. O evento aconteceu em Porto Alegre entre os dias 21 a 24 de julho. Em anos anteriores, era comum a presença do grande GNU/mor Richard Stallman, mas nessa vez ele não deu as caras por aqui. No entanto, estavam presentes John "Maddog" Hall (como sempre), Wietse Venema, Scott Chacon, etc.

No primeiro dia os diversos stands ainda não estavam disponibilizados, e a organização realmente não estava legal. Excesso de gente e pouca informação. Precisei conversar com quatro pessoas até encontrar a secretaria dos pagos (ui!), onde fiz a retirada do meu crachá. Evento, here we go! Nos outros dias a coisa foi um pouco melhor.

Após a retirada da minha pastinha, comecei a fazer as marcações das palestras que eu participaria. Por ser simpatizante do software livre onde acho que ele deva ser realmente empregado e também não ser um programador, quase que automaticamente excluí as palestras cujo tema era a educação, desenvolvimento e ecossistema, por meus motivos pessoais. Participei de palestras envolvendo as áreas de administração de sistemas/VoIP, robótica e segurança da informação. Também visitei a stands das distribuições das quais eu simpatizo. Logo, passei um bom tempo no stand da Red Hat, do Fedora e no encontro do GUS-BR (Slackware).

Sobre os Stands

A maioria dos stands, na minha opinião, mereceu nota 10. Em todo o salão da PUC, no prédio 40, os grandes stands (como o da iG, UOL, Caixa Econômica Federal e etc) estavam repletos de informações, atrativos e curiosidades sobre cada uma das empresas. E claro, com belíssimas criaturas do sexo feminino, algo raro nos eventos desse tipo que eu já compareci. Meu amigo Gilberto, que me acompanhou, quase resolveu ficar na cidade, devido as "amizades" que fez por lá.

Os atrativos variavam muito de empresa para empresa. No caso do stand do iG, por exemplo, havia uma réplica "viva" do cachorrinho do provedor, e que muitos (e principalmente muitas) tiraram fotos com o dog. Deu até pena do cusco, com traços visivelmente cansados, e que no final, já nem olhava mais pras câmeras dos curiosos que insistiam em afagá-lo. Muito amor também tem limite, e olha que eu nem sou eco-chato.

Outros stands, como o da SAP e o da Red Hat, recebiam os currículos (or better, resumès) de pessoas interessadas em trabalhar nas referidas companhias. Empresas mais conservadoras podem achar que esse não é um bom local para encontrar mão de obra qualificada, algo que discordo totalmente. Realmente, a maioria dos participantes era a molecada universitária, cursando os períodos iniciais de cursos de tecnologia. E num conglomerado tão grande, é uma ótima pedida encontrar talentos em processo de formação podendo ser lapidados no formato desejado pela companhia. SAP, me liga, tá? Você também, Red Hat 🙂

Os brindes

Outra coisa que me chamou a atenção foi a qualidade dos brindes apresentados aos GNUzinhos em formação. Balas, canetas, squeezes, camisetas, cafés, torradas, uvas-passas e panfletos. Os mais sortudos (não o meu caso, obviamente) ganharam mochilas e netbooks.

Mas, nesse aspecto, o stand da iG se superou. As mulheres-gato assistentes incentivavam o pessoal a se cadastrar e participar da premiação, onde após completado o cadastro, o candidato girava uma roleta (num monitor touch screen) e ganhava um pendrive, uma camiseta, ou passava a concorrer ao sorteio do iPad. Era um momento ha-ha (Nelsontm) a cada vez que o nome daquele nerd era redirecionado para esse sorteio. Afinal, havia muitos concorrentes, e as chances dele ganhar o iPad eram, digamos que... inexistente. Exceto pelo iPad, os outros brindes eram entregues instantaneamente.

Saldo dos prêmios que recebi: Caneta/Squeeze da SAP, caneta da Red Hat, cordinha (para crachá) da Red Hat, mouse-pad do Tux e uma (bonita) camiseta do iG. Só lamentei por que eu queria um pendrive. Mas ano que vem tem mais...

As palestras

Sobre as palestras que assisti, daria uma nota bem variada. Todas elas foram escolhidas por aspectos técnicos do software livre, e não pela emoção e aquela coisa toda. O critério utilizado para determinação das mesmas havia sido definido antes do evento, onde cada inscrito avaliava uma quantidade de palestras que estaria ou não na grade final da programação, então eu já tinha uma prévia do que viria. Entretanto, o conteúdo exposto por elas, acredito eu, não estava sujeito a análise. Em duas palestras que assisti, o contexto não havia nada a ver com o tema apresentado.

Isso aconteceu na palestra sobre o uso de PostgreSQL em ambientes corporativos e Implementação de inteligência artificial e redes neurais para detecção de fraudes. Em ambos os casos, os temas são interessantíssimos e extremamente exploráveis, mas foram mal apresentados puxando o assunto ao extremo para o lado da companhia as quais os palestrantes pertenciam, e em nada ao que deveria ser exposto.

Outro fato curioso foi na palestra de Nagios, que assisti, onde o equipamento de demonstração do palestrante falhou miseravelmente. Quem usa o Nagios sabe que ele não é fácil, nem todo "zé-ruela" é capaz de domá-lo, e acidentes acontecem em horas impróprias como essa.

Não vi nenhum sistema de avaliação por parte dos organizadores, e se visse, certamente as duas primeiras palestras que citei receberiam notas ruins. Os palestrantes que me desculpem, mas ficou horrível. Aliás, não me desculpem não, vocês mereceram.

Em compensação, nem tudo foi ruim, pelo contrário. Também assisti excelentes palestras sobre o SELinux, PTT Metro, Libvirt, DRBD + Heartbeat e uma ótima palestra sobre filtros de spam no Postfix, essa ministrada por ninguém menos que seu próprio autor. Essas valeram cada segundo dentro do auditório.

Encerramento do evento

O evento foi finalizado com uma palestra do John "Maddog" Hall, e quem já o assistiu, sabe que de "Maddog" o coroa não tem nada. Como sempre, ele mostrou cases reais onde o desenvolvimento de software livre em algumas corporações as salvou de gastar quantias absurdas com licenciamento de software (como por exemplo, US$ 4.500.000,00 por CINCO cópias de um programa em específico). Isso é algo que quem trabalha em empresas de médio e grande porte, onde a pirataria é crime e não "solução", sabe muito bem. Mas era uma palestra voltada para business-men e baby-GNUs, e ambos precisam ser minuciosamente educados — eles apenas não sabem disso. 🙂

O local da festa do encerramento foi alterado de última hora, então eu não compareci. Então, a palestra do John "Maddog" Hall aliada à chuva que caía em Porto Alegre, por si só, já coroaram o evento. Fui embora satisfeito, apesar dos pesares, e pronto (?) para voltar no ano que vem.

E você, também foi? 🙂

(Ok, eu já sei que não).

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