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VLC, Codecs e a Estratégia do Avestruz

A briga dos CODECs e os efeitos colaterais que ela causa ao usuário final.

07/07/2010 às 8:48

Em 2004 cheguei na Fry's de Las Vegas atrás de um produto específico que iria mudar minha vida: Por US$ 65,00 comprei um DVD Player que tocava DivX. Não tinha entrada USB, nada. Apenas lia DVDs (R e RW) com arquivos DivX e os tocava.

Por um tempo fui muito feliz, havia até a promessa de upgrades. Infelizmente nas palavras do filósofo Jagger, "You can't always get what you want", o mundo não para e logo os upgrades desapareceram. O produto saiu de linha, substituído por outros mais modernos.

"Ah, mas ele não se tornou obsoleto só porque saiu de linha". Verdade parcial. Continuou tocando DVDs normalmente, durou anos e anos, mas a parte de DivX se tornou inútil. Os CODECs toda hora sofriam atualizações, logo pequenas incompatibilidades deixaram de ser corrigidas nos upgrades, e quando eles pararam de vez, o aparelho já não tocava 2/3 de tudo que eu colocava nele.

Economicamente não há como justificar atualizações em um aparelho de US$ 65,00. A Philips quer que eu compre outro, não que fique com o mesmo player por anos.

No PC o cenário era pior. Aparentemente criar CODECs de vídeo consegue ser algo mais simples que criar distros Linux. Todo dia surgia um diferente, tínhamos que ficar atualizando toda hora, descobrir qual o CODEC de determinado vídeo exigia até programas especiais.

Um belo dia surgiu um programinha chamado VLC Media Player, que cometeu a suprema heresia: Contornou os CODECs do sistema operacional, passou a trazer em seu próprio codigo-fonte os codecs necessários para executar vídeos.

Os usuários pararam de se preocupar com qual CODEC um filme baixado havia sido comprimido. As chances do VLC reconhecê-lo e executar o filme eram altíssimas.

A complexidade ainda existe, mas está mascarada. Ela aparece quando temos que converter vídeos de câmeras digitais, alguns são generosos e vem em MP4, outros como a Sony usam formatos proprietários obscuros. CODECs são e continuarão sendo uma babel, o que é péssimo para o mercado. Fingimos que não há um problema, nosso paliativo nos engana.

Pense bem: os DVDs continuam funcionando muito bem com seu MPEG2, ninguém morreu por não poder gravar DVDs em 5 formatos diferentes. Esse fogo da computação em reinventar a roda nos encheu de formatos — todos lindos e maravilhosos, claro — que no fundo fazem a mesma coisa.

Ganharíamos com um formato de vídeo único? Com certeza. É viável? Bem, alguns anos atrás havia dezenas de protocolos de rede, hoje o mundo é basicamente TCP/IP. Se até a Microsoft se rendeu a um padrão mundial, tudo é possível.

Do contrário continuaremos na mesma situação que me encontrei, em 2004, quando percebi que teria que converter RM, RAM, RMVB, XviD, INDEO e outros para o DivX aceito pelo DVD Player, o que consumia tempo/CPU e quase nunca dava certo da primeira tentativa.

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