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Oficinas Culturais de São Paulo – Projeto em risco

02/07/2010 às 12:24

Existe um projeto da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo que se chama Oficinas Culturais. São várias unidades espalhadas por todo o Estado e que possuem área de influência em todos os municípios. A coisa é simples, as Oficinas levam atividades formativas culturais para todos os municípios que desejarem participar do projeto. São espetáculos , oficinas, workshops e aulas abertas de dança, teatro, música, artes plásticas, artesanato, fotografia, entre outras. Durante seus quase 20 anos de existência nem tudo foi perfeito. Como de praxe na administração pública, por muito tempo a Oficina foi um cabidão de emprego para colaboradores de campanhas. Mas, isso mudou nos últimos cinco anos.

Desde 2005 o Estado de São Paulo entregou a administração do projeto para uma associação. A ASSAOC (Associação Amigos das Oficinas Culturais do Estado de Paulo) tomou conta dos espaços das Oficinas, selecionou gestores capacitados para as unidades e promoveu um trabalho exemplar com a difusão de muitas atividades educativas e culturais. Porém, como todo projeto ligado ao governo, tudo fica nebuloso quando a administração muda. Embora as oficinas estejam em atividade por quase 20 anos, a recente mudança de governador e, conseqüentemente, do Secretário de Cultura, causou um efeito inesperado. Na última sexta-feira (25 de junho) um comunicado da sede da ASSAOC dava conta de que o projeto havia sido cancelado pela Secretaria de Cultura e que só seriam mantidas em funcionamento as atividades até o fim de julho.

Isso foi uma tremenda pancada por dois motivos. Em primeiro lugar, municípios que não possuem capacidade de investimento em cultura (que junto com o meio ambiente são as duas pastas que sempre ficam por último na hora de dividir a verba) passam a não contar com um importante parceiro. Para se ter uma idéia, só na região de Presidente Prudente, existem mais de 70 atividades programadas para o 2º semestre de 2010. Em segundo, vários arte educadores (artistas que dependem desse trabalho para continuarem produzindo) vão ficar sem a pequena fonte de renda que provinha da Secretaria de Cultura.

Durante essa semana que passou, o que aconteceu foi uma mobilização gigantesca de municípios e arte educadores (adoro esse termo) com e-mails e manifestos enviados à Secretaria de Cultura. Como a coisa cresceu em tamanho e se tornou assunto corrente na imprensa local (não vi nada nos grandes meios de comunicação) a Secretaria de Cultura liberou um comunicado de que o projeto estava sob análise para melhorias e que não seria terminado. Infelizmente, maiores informações não estão disponíveis.

Alguns podem me considerar suspeito para falar sobre o assunto, mas realmente minha imparcialidade está contaminada. Minha primeira capacitação em fotografia foi realizada na Oficina Cultural no distante ano de 1997. Morador do interior em uma época que não existia internet (e a fotografia digital era uma realidade muito distante) essa foi a única opção para aprender fotografia com bons professores. Através da Oficina pude desenvolver estudos de fotografia com grandes profissionais como Paulo Miguel, Emidio Luidi e Iatã Cannabrava. E o melhor de tudo isso, gratuitamente. Hoje sou um arte educador dessa mesma oficina. Já viajei toda a região levando cursos de fotografia para quem nunca pensou em poder ter uma capacitação nessa área. Prova do poder da iniciativa é que alunos já vieram de Londrina (Paraná) para fazer os cursos. Fora trabalhos remunerados, acabar com o projeto eliminaria um espaço garantido para o encontro de fotógrafos para troca de experiências e conhecimento. Ou seja, todo mundo sai perdendo.

Se você é de São Paulo (ou até mesmo de outros estados) e já participou de alguma atividade das Oficinas Culturais e não quer ver essa iniciativa morrer, mande um e-mail para a Secretaria de Cultura ([email protected]) evidenciando sua indignação.

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