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Um novo código velho, e não é de honra...

11/06/2010 às 9:24

Ou seja: 'I Ad, You Buy, He Buys, She Shows, We Earn, They Hate!'

A Apple anunciou agora em seu website que a sua nova plataforma em rede de WebAdvertising (iAds) vai ao ar agora no dia 1 de Julho para iPhones/iPod Touches OS4.

'O iAds oferece aos anunciantes a emoção da televisão com a interatividade da web; e oferece aos usuários uma nova maneira de explorar anúncios sem serem sequestrados de suas aplicações favoritas' (Steve Jobs).

A emoção da televisão... (Na hora veio-me a imagem da Sabrina Sato gritando ANIMASSÁOO e um bando de gente segurando iPads e iPhones gritando 'É verrrrrrdadi!'). Enfim, traduzindo: é igual mas é diferente do que tem por aí (meio que uma pegada comum da Apple, 'pensar' diferente).

Enquanto a orbe parece curtir se concentrar na guerrinha entre HTML5 e o Flash e sua Gangue, uma corcunda reservada apenas para os peixes grandes vai se amontoando por debaixo do pseudo-tiroteio: aquela marca grande e aquela outra querem você! Desta vez, de um novo jeito antigo...

Em 2009, apenas nos Estados Unidos, o crescimento das vendas via e-commerce amargou um aumento de apenas 11% (puwrra!) atingindo miserentos US$ 155,2 bilhões; tudo por conta da crise econômica mundial. Segundo a pesquisa feita pela Forrester Research, há alguns anos atrás o crescimento do ecommerce girava algo em torno de 20% anualmente. É uma pobre indústria. Isso sem falar no resto do mundo. Miseráveis.

Hoje existem 1,803 bilhões de fulanos online e de 2000 para cá esse crescimento de pessoas que enfiaram o dedo na tomada mundial da rede representa quase 400%.

O trajeto que explica o começo-meio-fim da compra pela internet também mudou muito. Começou com um ou outro banner tosco ali, email marketing, ads em mini-filmes, medias que antecediam em alguns segundos aquilo que você realmente queria ver, selos diversos em programas, páginas e mídias escabrosamente complexas e o diabo a4.

Várias ondas quebraram nessa praia até praticamente agora. Digo praticamente e agora, porque isso está a mudar enquanto vamos scrollando conversa abaixo.

O WebAdvertising está progressivamente se reorganizando para escapar da marca escarlate atribuída ao Belzebu das compras online: o pentelho que nasce no olho chamado 'banner'.

Hoje, a bonitinha e o antenadão ainda gostam de comprar online, mas não fazem caso se tiverem que ir pessoalmente até a loja, se assim indicarem as pessoas da sua confiança.

Em ambos os casos, um valor é maior que o preço: não importa mais o que você diz como marca, mas sim o que os seus consumidores dizem para os seus amigos o que acham do seu produto. Sem isso, sem praticamente nada.

A esse novo movimento devemos atribuir uma parábola das mais imperdoáveis, quando transgredida: uma longa porém rápida curva entre o unboxing da caixa preta da vez e a percepção de que a internet pode estar, de fato, sendo novamente mais usada para encher as grandes lojas outra vez.

É óbvio que a indústria emergente e de produtores independentes ainda vão tocar suas marcas e produtos via as mesmas relações de proximidade distante (ou vice-versa) com seus consumidores. O discurso do 'estou sempre com você' ainda vai valer, desde o sensato e honesto até o sarnento e ignóbil.

Você compra online de acordo com sua conveniência, mas comparece no evento que lhe venderá um adicional ao vivo. Só para você sair dali como 'um dos primeiros'.

A palavra é provocar o acotovelamento in-sitio, se possível. Ou então mais markretinamente correta: agregar-se ao cliente.

Early-Adopter é o novo Target-Pax.

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