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O Negócio é proteger o Negócio

Durante o próprio Keynote da WWDC a Apple anunciou rápida e discretamente (como sempre) que os novos iPhones contariam com uma proteção extra e, dessa vez, feitas em casa.

09/06/2010 às 8:53

É comum lermos e ouvirmos dizer que a Apple não é uma empresa de hardware, que não vende aparelhos, que não vende sistemas operacionais, que vende uma experiência no lugar de tudo isso. Claro, desde de que o usuário sinta que está mesmo passando por uma experiência, o discurso de marketing pode até se confirmar, tal qual as expectativas e as direções da marca.

O início dessa 'experiência' fatalmente começa quando alguém (normalmente o próprio Steve Jobs) clica pela primeira vez o botão de seu contole remoto e começa a Apple Keynote da vez na WWDC. Tudo começa com uma caixa preta, um período de silêncio, muitos desenvolvedores juntos em frente à tela e... boom! Filas e cotoveladas pelas as Apple Stores do mundo. Recordes são batidos, prateleiras são esvaziadas.

Digam o que quiserem, mas no mundo abarrotado de smartphones, netbooks e todos os gadgets-copies do universo de hoje, a Apple pode. iPode.

Mas e a experiência? Do que ela é realmente feita? De proteção, passos calculados e olho no usuário.

A Apple tem lá seus estranhismos para justificar isso. Se você olhar para a nova página de especificações do novo iPhone 4 e conseguir encontrar onde ela vai mudando de cara na cara de todo mundo (quase sem ser percebida) você ganha um doce. Sim, se você disse 'o que os novos 'pára-choques' estão fazendo fora do usual frame reservado para acessórios?', lá embaixo... acertou.

Durante o próprio Keynote da WWDC a Apple anunciou rápida e discretamente (como sempre) que os novos iPhones contariam com uma proteção extra e, dessa vez, feitas em casa.

Vai a Apple mesmo entrar também no ramo dos cases e protetores? Já entrou... Não se fala muito disso, mas observe desde os antigos suportes de braço para os iPods de quem não podia ficar sem ele nem quando estava correndo por aí, até os iPad cases que vão populando sua página na Apple Store.

Também pode ser uma experiência e tanto ver como a Apple procura proteger seus produtos e sua marca. Pode ser que o paralelo seja estreito demais, mas a relação é inegável, apesar de sutil. O procurador-geral do estado de Nova York, por exemplo, está investigando uma série de denúncias de moradores do bairro do Queens, daquela cidade. Eles são de descendência asiática e alegam que foram tratados de modo bem diferente dos primeiros compradores caucasianos nos primeiros dias de venda do iPad nos EUA.

Já lançados em seis cores diferentes (branco, preto, azul verde, laranja e rosa), os novos protetores para iPhone 4 são um passo sem precendente histórico para iPhones. Diferentes dos protetores comuns, os novos pára-choques para iPhone 4 são feitos de uma mistura de borracha e plástico moldado e até tem botões de metal para volume e on/off. Capricho de fábrica, para proteger o produto da fábrica. Blindagem.

Algo que explica bem o approach bem mais cuidadoso da empresa com seus lançamentos. A caixa preta da Apple vai ficando cada vez mais negra (ou qualquer coisa mais escura que isso). Muitos blogs e sites ouviram de seus leitores que a Apple vinha estranhamente retirando a maioria dos cases de revenda (outras marcas) de dentro de suas lojas.

Explicado então, a voz de comando agora é tornar tudo tão precioso que o usuário final ache que precisa proteger a sua nova posse da melhor maneira possível.

Se você tomar os milhões de equipamentos vendidos pela empresa e a eles adicionar uma ou duas coisinhas a mais, pode ser um ótimo negócio. O formato 'parasita' de venda sobre venda de produtos de grande sucesso não é novidade desde o tempo do guaraná com rolha. A novidade está na própria empresa que vende o tal produto de sucesso, absorver um ou mais ítens do produto parasita para si própria. Nem mesmo a Apple resistiu à tentação de pegar essa carona... E o mundo todo também.

Veja a i-Luv por exemplo... tão silenciosa quanto a Apple, já anunciou produtos como películas protetores por U$15 (U$17 pela anti-reflexo, U$19 pela anti-digitais e até U$49 por uma de dupla proteção) e toda uma linha de cases e protetores. Isso vezes milhões de unidades... parece bom, não? Não é muito, mas já dá pelo menos comprar aquela ilhazinha...

Que tal umas algemas?

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