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Queda de asteróide provavelmente congelou a Antártica

A Antártica realmente é um continente bem diferente (e estranho). Tudo indica que há 35 milhões de anos atrás, um impacto de um asteróide contribuiu para a formação dos lençóis de gelo no continente.

02/06/2010 às 14:21

A Antártica realmente é um continente bem diferente (e estranho). Tudo indica que há 35 milhões de anos, o impacto de um asteróide contribuiu para a formação dos lençóis de gelo no continente.

O especialista em impactos de objetos extraterrestres (meteoros, asteróides...), Andrew Gilkson, do Planetary Science Institute da Universidade Nacional Australiana, em Camberra, analisou uma cúpula encontrada a mais de 2,5 km de profundidade, sob o Mar do Timor, cerca de 300 km de distância da Austrália. Existia (existem para a maioria das cúpulas) duas explicações para a sua formação: movimento das placas tectônicas ou a partir de um vulcão de lama.

Vulcão de lama, assim chamado, é um termo usado para se referir às estruturas criadas pela ejeção de gases, líquidos e lama, geralmente em áreas mais frias. Ou seja, essas estruturas não são formadas pelo magma terrestre. Os tamanhos variam de poucos centímetros para mais de 700 metros de altura e até 10 km de diâmetro.

Seu estudo incluiu uma série de testes: microscopia eletrônica de varredura, levantamentos sísmicos e análise química das rochas. A conclusão foi de que um asteróide causou o surgimento do lençol de gelo, devido à velocidade em que ocorreu o impacto. As imagens da microscopia mostraram que as fissuras e rochas pulverizadas por toda a cúpula, cujo nome é Monte Ashmore, possuem uma estrutura diferente das que surgem por movimento das placas tectônicas.

Crátera localizada no Mar do Timor

Os dados do levantamento sísmico mostram ainda que essa cúpula possui mais de 50 km de diâmetro e sua altura é significantemente maior do que os vulcões de lama registrados. O asteróide que criou a tal cúpula tinha cerca de 5 a 10 km de largura (o meteorito que atingiu a terra e matou os dinossauros tinha aproximadamente 300 km de largura 10 a 15 km).

"Pequenos asteróides criam apenas uma cratera de impacto. Porém, durante os impactos de maiores proporções, algo diferente pode acontecer", disse Andrew Gilkson. Essa coisa diferente, no caso do Monte Ashmore, foi o surgimento de uma cúpula. E como isso aconteceu? O impacto foi tão forte que as rochas ricochetearam, formando, posteriormente, um continente.

Ainda segundo o especialista, o asteróide não caiu sozinho na Terra. Outras crateras foram documentadas (e que ocorreram em uma data semelhante): um na costa ocidental australiana com cerca de 120 km de diâmetro e outro na Sibéria, com cerca de 100 km de diâmetro.

O que é mais estranho é: por que um asteróide relativamente pequeno criou um imenso (e bonito) continente de gelo?

Iceberg na Antártica

Gilkson têm uma resposta. Como é percebido, o asteróide não caiu sozinho. Essa chuva de asteróides provocou um deslocamento das placas tectônicas, criando um fosso entre a Antártica e a América do Sul. Esse fosso se chama Passagem de Drake, e existe até hoje. Essa "passagem" é uma das zonas com uma das piores condições meteorológicas marítimas do mundo.

A corrente de água pela Passagem de Drake isolou o clima da Antártica do resto do mundo, e promoveu o crescimento de uma camada de gelo de grandes proporções. De acordo com a Australian Geographic, as calotas polares, em combinação com correntes de marítimas recém-emergentes formadas ao redor da Antártica, criaram uma espécie de "refrigerador de água" pelo oceano global e formando um resfriamento bem documentado do planeta.

Fonte: New Scientist.

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