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Blippy: do céu ao inferno, e vice-versa

Muitas confusões e altas aventuras nesse site muito louco a quem você concede acesso a seu cartão de crédito.

26/04/2010 às 10:53

Blippy.

Blippy.

O Blippy, não bastasse sua polêmica e controversa proposta, continua dando o que falar. Após o vazamento dos números dos cartões de crédito de quatro usuários, a empresa soltou um comunicado à imprensa explicando o ocorrido (reprodução do texto no TechCrunch).

Resumindo, o problema ocorreu porque os dados crus das transações realizadas pelos usuários, que constam nos cartões de crédito e são filtrados na hora de gerar as páginas no Blippy, continuam aparecendo no código-fonte, que o Google (e qualquer xereta) enxerga. Na maioria esmagadora dos casos, esses dados crus não contêm informações perigosas, mas calhou de, em alguns casos, os números dos cartões de crédito aparecerem e serem capturados pelos robôs do maior buscador do mundo.

Numa ação rápida, a equipe do Blippy corrigiu a falha e entrou em contato com o Google para remover as informações sensíveis do cache. A ação foi boa, mas o comunicado e declarações do CEO do Blippy são controversas. Enquanto no comunicado diz-se que o ocorrido foi "muito menos ruim do que parece", Ashvin Kumar, o cara que manda no Blippy, declarou ao TechCrunch, após a ocorrência de mais um vazamento de número de cartão, que "cinco contas é muito, qualquer coisa diferente de zero é inaceitável".

Mais um número de cartão vazado...

Mais um número de cartão vazado...

Essa é a parte ruim dos últimos dias do Blippy. A primeira, digo. A boa é que, em meio a esse furacão, com a pior coisa que poderia acontecer ao serviço tornando-se realidade, a startup recebeu investimentos na casa dos US$ 11,2 milhões e, de quebra, ainda fez sua primeira aparição no The New York Times.

Quando tudo parecia estar voltando à normalidade, inclusive com a mídia elogiando a transparência do Blippy durante a crise, a grande evidência que o site teve nos últimos dias, positiva e negativa, causou outro problema: lentidão. Nessa, usuários assustados com os casos de vazamento que queriam remover seus cartões ou mesmo excluir suas contas, viram-se incapacitados de fazê-lo, o que gerou uma grande onda de reclamações no Twitter (uma busca por "blippy delete" revela algumas delas).

Usuários não conseguem apagar dados no Blippy.

Usuários não conseguem apagar dados no Blippy.

Após toda essa tempestade, um grande turbilhão de altos e baixos, parece que as coisas se acalmaram a ponto de rolar uma retrospectiva misturada com planos futuros no (reformulado; abandonaram o posterous 🙁 ) blog do Blippy. Além de sabermos que, no total, oito usuários foram afetados, e de todas as resoluções e medidas tomadas para contornar a crise, está lá, também, o plano para melhorar o cuidado com a privacidade dos usuários, área especialmente necessária ao Blippy pela natureza do negócio. Duas medidas se destacam:

  • Contratar um Chief Security Officer, e pessoal para cuidar exclusivamente da parte de segurança;
  • Criar uma central de segurança e privacidade com informações sobre o que o Blippy vem fazendo nessa seara.

O primeiro encontro, o primeiro salário, o primeiro carro, a primeira crise... Coisas que ninguém esquece. No geral, entre mortos e feridos, aparentemente o Blippy conseguiu sair bem da sua primeira vez, do primeiro grande problema a ser contornado. Resta saber se, mesmo com toda essa desenvoltura, quão grande foi o impacto dos recentes eventos na imagem da empresa. O tempo, como (quase) sempre, nos dirá.

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