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Google vs. Mundo no caso Google Buzz

Grupo de países envia carta ao Google cobrando comprometimento com privacidade.

21/04/2010 às 10:00

Uma empresa de grande porte, com rendimentos superiores ao PIB de muitos países e serviços utilizados diariamente por milhões de pessoas, tem responsabilidades. Fugir delas é perigoso; além de frustrar usuários, chama a atenção de órgãos internacionais e países que se preocupam com a privacidade de seus cidadãos.

O lançamento do Google Buzz em fevereiro desse ano, da forma que foi (atrelado automaticamente ao Gmail), já pode ser considerado um dos maiores fiascos da história do Google. Não pelo serviço em si, que parece estar indo bem (sinceramente não sei; não uso aquilo), mas pela forma como foi apresentado, ou melhor, como não foi apresentado aos usuários. Mantendo o clima de mistério que caracteriza muitos lançamentos na indústria, o Google liberou o Buzz, e pagou para ver no que daria. O preço está sendo caro.

Nem as mudanças realizadas no serviço posteriormente, visando minimizar os estragos, surtiram efeito. Digo, tal atitude foi melhor do que nada fazer, mas foi apenas um paliativo, longe, muito longe de recuperar a credibilidade do Buzz na área em que todos, Google e, principalmente, usuários, se preocupam: privacidade.

Google é um robô gigante.

Google é um robô gigante.

Prova maior desse fracasso é a carta que dez países assinaram e remeteram a Eric Schmidt, CEO do Google. Subscrita por autoridades da área de proteção de dados de Canadá, França, Alemanha, Israel, Itália, Irlanda, Holanda, Nova Zelândia, Espanha e Reino Unido, o texto faz duras críticas ao Google, e cobra uma resposta.

A carta destaca que o Google, na posição que ocupa, deveria dar o exemplo, e que colocar um "beta" ao lado do nome de um serviço disponibilizado pública e compulsoriamente não o escusa de proteger a privacidade de seus usuários. Cita outros erros do Google, como o Street View, e alega que tornar o Gmail, um serviço precipuamente privado, numa rede social, com informações públicas e contatos escolhidos automaticamente baseado na assiduidade com que se troca e-mails, no mínimo confunde os usuários, que, carentes de informações, poderiam até pensar que seus dados particulares (mensagens de e-mail) teriam se tornado públicos.

Ao fim, o grupo de países arrola algumas diretrizes concernentes à privacidade, como colher a menor quantidade de dados do usuário possível, prover meios de exclusão de informações e contas por parte do usuário, etc., tudo visando transparência e segurança que se espera de uma empresa do porte do Google.

Não é a primeira vez que o Google arranja atritos com um país. Em janeiro desse ano, a empresa desentendeu-se com a China, após tentativas de acesso não autorizado a contas de e-mail (no Gmail) de ativistas contrários ao regime chinês terem sido detectadas.

Leia a carta do grupo de países ao Google, na íntegra e em inglês, aqui.

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