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Geolocalização no dos outros é refresco

Um uso inocente de Geolocalização por parte da VIVO fez com que eu me sentisse com vontade de colocar chapéu de papel-alumínio. Leia e entenda a saia-justa...

14/04/2010 às 12:35


CardosoCorp - QG Temporário

Hoje tive meu Momento Stallman. Explico: Estou passando um tempo longe da civilização, onde nem a Claro pega. A Única opção na cidade é a Vivo. Assim achei por bem comprar um chip pré, para poder me comunicar com quem de direito.

Por algum daqueles mistérios misteriosos do mundo misterioso o sistema da Vivo não entendia o "2" final para confirmar meu CPF, por isso fui transferido para o atendimento Humano. Uma simpática mocinha pediu alguns dados, mas em um momento ela me pegou de calças arriadas, tal qual Chat Roulette:

'o senhor está na praça tal, esquina da rua tal?'

Como em um episódio de Criminal Minds a Penélope Garcia da Vivo usou de geolocalização para identificar onde eu estava. O racional era agilizar caso eu estivesse ligando do endereço fixo que seria usado em meu cadastro.

Por mais racional que seja a idéia de que a operadora de telefonia SABE onde estou, ficou estranho. Foi uma sensação ruim, é como o sujeito que aponta pra própria mulher, na mesa do bar e diz 'vou dar uma bela carcada nessa aqui hoje'. É uma questão de convenção social. Algumas coisas ficam melhor não ditas.

Não me entendam mal. Geolocalização não é algo maligno. Pelo contrário. Não consigo mais viver sem o Nokia Maps, até o tal Foursquare se mostra bem útil, depois que expurgamos o Fator Douchebag. O A-GPS é excelente. Torna viável navegar até mesmo por pesadelos de radiotransmissão como São Paulo.

A questão psicológica aqui é que estamos tratando de um produto em grande parte intangível. Um SIM-CARD comprado anonimamente em uma padaria do nada se torna um dedo-duro. Mas um dedo-duro inevitável, como um entregador de sex shop que ninguém quer que saiba onde moramos mas ao mesmo tempo PRECISA do endereço para trazer nossa Orient Doll (não clique).

Quando a geolocalização começar a ser usada ativamente para publicidade os paranóicos de privacidade irão pirar, pois o pesadelo se torna realidade: gente conscientemente divulgando sua localização geográfica. Eu mesmo sou interpelado por isso, toda vez que brinco com o Gravity e sua integração do GPS com a API de geolocalização do Twitter.

twitts como esse aí de cima despertam mensagens verdadeiramente preocupadas de gente com medo de trolls psicopatas (desculpem o pleonasmo) indo tirar satisfações comigo. Eu acho divertido, gosto muito do recurso e aos trolls só digo: bring it on, bitch!

Neste momento muita gente está me chamando de hipócrita, por liberar conscientemente minha localização mas me sentir mal quando a Vivo utiliza o mesmo recurso.

Acho que aqui como quase tudo na Vida, cabe o diálogo. Se a atendente tivesse me informado do recurso antes de utilizá-lo eu estaria escrevendo um texto louvando a Vivo pelo uso de geolocalização.

Portanto, fica a dica para todo mundo que vá trabalhar com esse tipo de funcionalidade: não assumam jamais que o usuário 'já sabe', pois mesmo que ele já saiba, vai se sentir esquisito.

Vendam a geolocalização como ela é, uma ferramenta fantástica cheia de vantagens pro usuário, e não um tiozinho esquisito espiando garotinhas brincando na praça.

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