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Quem vai matar quem?

04/10/2005 às 3:54

A notícia de que Steve Ballmer ? presidente executivo da Microsoft ? declarou abertamente que sua intenção era matar o diretor executivo do Google, Eric Schmidt, logo em seguida destruindo a gigante das buscas americana já é bastante antiga, em termos da velocidade em que as coisas acontecem na grande rede mundial de computadores. Apesar de não ter sido proferida de forma tão educada pelo representante da empresa de Redmond, a ameaça apenas demonstra as preocupações que Bill Gates e sua turma estão tendo com o Google. Afinal de contas, a companhia, que concentrou durante bom tempo seus negócios apenas no ramo das buscas, já não é mais a mesma.

De uma hora pra outra eles passaram a oferecer serviços que vão do e-mail gratuito com capacidades astronômicas de armazenamento, passando pela aplicação de gerenciamento de fotos e chegando ao campo de mensagens instantâneas, onde, ainda em versão beta, podem vir a ameaçar seriamente não apenas o arqui-rival MSN, mas também aplicações que estavam à sombra da disputa, como o Skype, por exemplo. Esse é o novo Google, capaz, acredito eu, de dominar o mundo num piscar de olhos, se assim o deixarem fazer.

É justamente esse novo Google que não parece estar disposto a ficar apenas olhando o CEO da Microsoft fazer-lhe ameaças conforme bem entender. E é justamente este novo Google que pode estar preparando um contra-ataque ao comentário infeliz, acertando diretamente no coração da empresa que fabrica o sistema operacional mais utilizado do mundo. O alvo? Seu carro-chefe, o Microsoft Office.

Nesta terça-feira o gigante das buscas realizará uma conferência de imprensa em conjunto com a Sun Microsystems, onde pretende anunciar um projeto que tocará em colaboração com a outra empresa, afim de trazer para os usuários Google a produtividade de um dos principais concorrentes do pacote da Microsoft, o StarOffice.

Apelidado por muitos usuários mundo afora de "versão paga" do OpenOffice, projeto colaborativo de código aberto, o StarOffice é um pacote que conta, além de processador de texto e planilha eletrônica, com um módulo para geração de arquivos de apresentação, um software para desenho e também um gerenciador de banco de dados integrado. Ao que tudo indica, a resposta às ameaçadoras palavras de Steve Ballmer se traduzirão numa espécie de Google Office, reforçado pela robustez da suíte de aplicativos da Sun.

Enquanto os rumores continuam em torno do desenvolvimento de um sistema operacional da Google, com aplicações como calendário e busca de desktop, já lançados ou em fase de lançamento, o movimento de contratação por parte da empresa de Joerg Heilig, ex-diretor de engenharia de software da Sun, e um de seus mais antigos funcionários, parece mesmo indicar que a empresa está disposta a investir fundo num concorrente à altura para o Microsoft Office.

Com o crescente número de aplicações web baseadas na tecnologia AJAX que estão pipocando Internet afora, voltadas para a edição colaborativa de documentos, sendo um exemplo muito bom o Writely, não seria nada demais achar que o Google ? novamente ele ? também resolvesse apostar suas fichas numa aplicação do gênero. Afinal de contas, o GMail já é baseado em AJAX, e seu espaço virtualmente ilimitado ? pois quem usuaria tanto espaço com mensagens de e-mail comuns? ? poderia ser usado para o armazenamento de documentos de outros tipos.

Mas os olhos do Google enxergam muito mais longe. Tanto que não hesito nada em dizer que pelo menos uma parte da estratégia recente da Microsoft para entrar no mundo das aplicações Web 2.0, abrindo alguns acessos à Microsoft Network para desenvolvedores, foram claramente motivados pela periculosidade da empresa fundada por Larry Page e Sergey Brin. Um trunfo do Google não é apenas o AJAX, mas sim o fato de que o StarOffice é baseado em XML puro, podendo, por exemplo, atuar como uma camada de interligação entre aplicativos Web 2.0 e softwares tradicionais, desde que esses últimos suportem XML.

O pacote de aplicativos da Sun também usa o formato OpenDocument, que permite o salvamento e troca de documentos de texto, planilhas eletrônicas, gráficos e apresentações, e que foi desenvolvido por um consórcio internacional chamado OASIS - Organization for the Advancement of Structured Information Standards. A finalidade do OpenDocument é justamente prover uma alternativa à formatos proprietários como o DOC ou o PPT, e já foi implementado por uma série de desenvolvedores de software que agora o suportam em seus aplicativos.

Que o Google irá atacar com uma suíte de edição de documentos on-line, combinando o StarOffice e seus próprios serviços, e oferecendo a seus usuários a chance de mudarem drasticamente a forma como encaram a produção de documentos, seja em caráter pessoal ou profissional, isso já é mais do que evidente. Serve para que o mundo saiba que, se a intenção da Microsoft é esmagá-lo como a um inseto, eles não pretendem ficar olhando. Vão é alçar vôos mais altos, deixando, no bater de suas asas, uma dúvida maior: Numa guerra desse porte, quem é mais capaz de matar quem?

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