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Aviso sobre Photoshop poderá ser obrigatório em publicidade brasileira

25/03/2010 às 8:59

Os políticos brasileiros podem ser esquisitos, mas não podemos negar que eles não estão antenados no que anda acontecendo na Europa. Já falamos aqui no Meio Bit de todas as polêmicas causadas por manipulações gritantes usando o Photoshop em anúncios europeus e da tendência dos países daquele continente em criarem leis onde esse tipo de prática seja regulamentada. O principal argumento é a saúde dos adolescentes, que ficam influenciados pelas modelos perfeitas que aparecem nos anúncios e desenvolvem transtornos alimentares em busca da perfeição ilusória.

Ao que parece, isso chegou ao Brasil. Por aqui, a discussão não havia engrenado ainda, mesmo tendo o exemplo ridículo da Susana Vieira. Mas, tudo está mudando. O Deputado Wladimir Costa (PMDB-PA) é autor do Projeto de Lei 6853/10 que está em análise no Congresso Nacional. A nova Lei, se aprovada, vai exigir que todo anúncio de publicidade, onde haja manipulação digital de pessoas, exiba o aviso “Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada." Segundo o nobre deputado, "Em tempos de photoshop, a manipulação de imagens faz com que a fotografia seja muitas vezes radicalmente diferente da realidade. Manchas na pele são apagadas, rugas são cobertas, quilos a mais são extirpados. É difícil a um leigo perceber que o resultado final não é uma imagem original".

Bem, muito bacana começarmos a nos preocupar com isso aqui em terras tupiniquins. Mas, não devemos assumir uma posição radical. Em primeiro lugar, a fotografia não é uma representação da realidade. Quanto antes as pessoas chegarem a essa conclusão, mais felizes elas serão. Em segundo, manipulação fotográfica não é uma exclusividade da fotografia digital. Muito antes de alguém pensar em sensores e computadores, já existiam manipulações muito bem feitas. Em terceiro, publicidade tenta vender um sonho e não um produto. Se fosse assim, não teríamos mulheres em propagandas de cerveja e aventuras em propagandas de carro. E, por último, mas não menos importante, o próprio mercado fotográfico publicitário já estava pensando nessa questão há muito tempo. Pensei que tudo poderia vir de uma auto-regulação e não da força de uma Lei, mas o mundo não é perfeito.

Nos resta apenas esperar agora e ver o que vai acontecer. Com a dinâmica maluca do nosso Congresso, essa Lei pode vir a vigorar apenas no próximo milênio.

Fonte: Agência Câmara

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