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Scott Charney, da Microsoft, acha que segurança digital é uma questão pública

05/03/2010 às 17:53

O cenário é a conferência de segurança SNA, em San Francisco, Estados Unidos. Em sua palestra, o vice-presidente de Computação Confiável da Microsoft, explica que a questão da segurança digital é pública, como a saúde ou a segurança física mesmo. Até aí, eu concordo. Mas então, Charney sugere que uma das soluções pode ser a criação de um imposto, para bancar iniciativas governamentais de segurança digital.

Alguém mais se arrepiou ao ler essa sugestão? O Estado cuidar de nossa segurança digital? Big Brother é pouco, em face a isso.

Charney, meu caro amigo, isso não é solução, é gambiarra. É tirar a responsabilidade das mãos das empresas produtoras de software e do próprio usuário - que hoje já é desleixado nesse quesito. Um perigo (além de, convenhamos, uma grande idiotice)!

A solução é a educação

Big Brother is watching you Eu acredito nisso. Eu trabalho para isso. Eu prego (e sou chato quanto a) isso. Milhares de novos usuários conhecem o mundo dos computadores a cada dia. Essas pessoas precisam ser educadas, direcionadas, orientadas, se for preciso guiadas pela mão. E cada um de nós, a própria rede, pode colaborar com isso, não precisa que o Governo seja o guardião de nossa segurança digital (quá!). Eu já imagino a inclusão oficial da matéria "informática" em todas as instituições de ensino, ou quem sabe as Escolas Públicas de Informática, a Bolsa Inclusão Digital e outras obras superfaturadas e subgeridas, que despejarão milhões de dólares no mercado digital e no final não agirá ao que se propõe: segurança digital. Basta mirar na segurança pública e na educação.

Sim, claro que estou falando de Brasil e obviamente o problema nos EUA seria outro - a bisbilhotagem da vida alheia, seus e-mails devassados, seu acesso controlado, seu computador vasculhado periodicamente pelo FBI ou outra inteligência criada especificamente para isso. Hmmm tá, isso já existe por lá, mas até agora não é assim tão escancarado.

A tal da Lei Azeredo está circulando e se modificando há anos, mas um dia, algum pedaço dela certamente será aprovado e implantado (se será fiscalizado, é outra questão). O bizarro nisso, é que Azeredo não está só nesse pensamento. Além da sugestão de Big Brother do Charney, Eugene Kaspersky, do antivírus homônimo, chegou a sugerir um "passaporte digital" que identificasse os usuários de Internet e abolisse completamente os acessos anônimos. De onde essas pessoas tiram essas ideias?

Obviamente não dá para malharmos as pessoas em si e nem completamente as ideias ou intenções. Imagino eu, com toda a minha fé na humanidade, que os sujeitos possuem interesses não somente comerciais, mas estão legitimamente preocupados com a questão da segurança, que efetivamente deve ser discutida publicamente. Precisamos urgentemente de propostas para resolver esse problema, que cresce exponencialmente e deixa-nos a todos expostos. Eu sei de meu perfil de uso no computador, você sabe do seu, mas e seu vizinho? E seu colega de trabalho que compartilha da mesma rede que você? E a pessoa sentada ao seu lado no aeroporto, usando a mesma rede wi-fi gratuita?

Eu continuo levantando a bandeira da educação e da Internet prestando esse papel, seja através de iniciativas pessoais, corporativas ou de organismos formados pelas empresas que se beneficiarão com a segurança do meio.

Qual seria a sua sugestão?

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