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Chupa, Uhura: Google quer inventar o Tradutor Universal

08/02/2010 às 15:00

Mais de dez anos atrás no tempo em que a Internet ainda era espaço a ser desbravado em uma tarde tediosa desenvolvi um "tradutor" para um site que apenas pegava a entrada de um formulário, postava no tradutor do Google, estripava a formatação e exibia o resultado para o visitante. Coisa feia, admito, mas eu era jovem, precisava de dinheiro.

No dia seguinte de implantação do serviço chega email de uma usuária indignada afinal o tradutor estava obviamente quebrado. Motivo: Ela colocou vários sonetos de Shakespeare e o resultado não foi exatamente brilhante.

Percebi que a visão do usuário médio era essa, não tinham idéia da complexidade por trás de um software de tradução automática. As minúcias, as expressões idiomáticas, o CONTEXTO era algo que ignoravam. Idiomas são ferramentas complexas, não é fácil ensinar a um robô a lógica de uma língua, quando você calça a bota e bota a calça.

Pior: Percebi que mesmo os tradutores online de então eram considerados satisfatórios. Gente com conhecimento básico de idiomas achava as traduções perfeitas, e vendia esse peixe.

Por isso vejo essa iniciativa do Google com 3 pés atrás. Eles querem consolidar as tecnologias de tradução online com sistemas de reconhecimento de voz, e criar assim uma utopia Star Trek onde todo mundo poderá falar com todo mundo, e se entender. A idéia, segundo Franz Och, chefe dos serviços de tradução do Google é ter um sistema funcionando razoavelmente bem em uns dois anos, para que de seu celular você ligue para uma pessoa e tenha uma conversa mesmo sem entenderem o idioma uma da outra.

"Razoavelmente bem" e "dois anos" em tecnologia é uma promessa que você só faz quando não tem nem idéia por onde começar.

Lembrem-se, estamos falando de tradução automática, que só recentemente no Google parou de traduzir "the book is on the table" para "o livro está sobre a tabela". A área evoluiu muito, mas mesmo assim introduzir VOZ, uma variável complexa só piora. Estamos falando de sotaques, entonações, defeitos de fala, língua pglesa, regionalismos e gente que fala sibilando.

O que vai acontecer? Monty Python já previu isso (também):

Fonte: Times Online

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