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Somos Fotógrafos, e não Terroristas

26/01/2010 às 10:53

A coisa está pegando fogo na Inglaterra. Já tínhamos falado alguma coisa aqui no Meio Bit sobre as normas de investigação que passaram a valer depois dos ataques terroristas de 2001. O Terrorism Act 2000, que foi aceito por todos em um momento de medo (isso me lembra de V de Vingança) agora está gerando críticas, principalmente dos fotógrafos profissionais do Reino Unido que estão vendo o seu direito de fotografar em público cerceado. O que acontece é que os fotógrafos estão sendo abordados, interrogados e as fotos na câmera são vistoriadas. Isso por conta da desculpa de tornar o país livre da ameaça terrorista. Mas, o problema aqui não é bem a Lei e sim as livres interpretações que várias autoridades vêm fazendo dela. Por conta disso é que estão sendo registrados os abusos.

Para ir contra essa maré de abordagens e interrogatórios, fotógrafos profissionais e amadores fundaram o site I’m a Photographer, not a Terrorist, com o intuito de divulgar o que vem acontecendo em várias cidades da Inglaterra. Segundo o site, que possui depoimentos de vários fotógrafos famosos da Inglaterra, o que está valendo na verdade é que autoridades estão impedindo tanto profissionais quanto amadores de fotografarem em locais públicos. Em alguns casos, fotógrafos que se recusaram a seguir a ordem tiveram o seu equipamento confiscado. Segundo o próprio comando da polícia de Londres, o público em geral ou membros da mídia não precisam de autorização especial para fotografar locais públicos e a polícia metropolitana, ou qualquer outro membro da força policial, não possuem poder para impedi-los. Os policiais só podem exigir ver as imagens feitas pela pessoa se ela estiver sendo investigada pela força anti-terrorismo, que se enquadraria dentro da seção 43 e 44 do Terrorism Act, mas, mesmo assim, o oficial de polícia deve ser capaz de comprovar uma suspeita razoável sobre a pessoa.

No dia 23 de janeiro, sábado, aconteceu uma grande manifestação em Londres, onde os fotógrafos se reuniram para mostrar à população a sua indignação. A grande justificativa do movimento é que o Terrorism Act, além de ir contra a liberdade de imprensa, também emperra a criação da memória visual coletiva da população. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos votou contra a continuidade da Lei, dizendo que ela vai contra direitos básicos dos seres humanos. O governo inglês recorreu contra a decisão alegando que a Lei, se bem aplicada, é uma importante ferramenta contra terroristas. Enquanto o resultado final não sai, ela continua em vigor.

i am a photographer not a terrorist

Fonte: BBC News

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