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Office 2010 - Nem tanto ao céu nem tanto à terra

18/01/2010 às 22:23

Semana passada o MeioBit viajou para São Paulo a convite da Microsoft, fomos conhecer mais de perto as novidades do Office 2010, apresentadas por Eduardo Campos de Oliveira (respire fundo) Gerente de Marketing e Negócios da Divisão de Produtividade e Colaboração da Microsoft Brasil, que me jurou que o título cabia no cartão de visitas.

Se eu fosse um dos Profetas de Bajor e não entendesse o conceito de tempo linear, diria que a interface do Office 2010 está a cara do beta do OpenOffice, mas o silêncio e a microexpressão de “pois é, né” já bastam para responder o que ninguém precisava comentar.

DSC03885 A Ribbon veio para ficar, e por mais que exija um reaprendizado, com o uso vemos que realmente ela é bem mais prática, principalmente para agregar os recursos desejados, sem se tornar um mega-menu com 1244 opções. Agora que o OpenOffice adotou, todo mundo já pode dizer que gosta, o que aconselho que seja feito, antes que o Opera assuma a autoria também.

Os recursos do Office 2010 estão bem documentados por aí, o beta disponível funciona até Outubro, então não preciso usar espaço listando features, até porque o que mais chamou atenção na apresentação foi a maturidade com que a Microsoft está fugindo dos hypes, sem ficar presa a um modelo conservador. Definitivamente acharam a cabeça de burro enterrada em Redmond. Sim, aquela que em favor especial a Steve Jobs Ballmer mandou enterrar na sede da Nokia.

O Office 2010 não ignora a questão da Nuvem, mas nem assume que ela não presta, é hype e não vai durar, nem assume que Nuvem é o futuro, vamos todos voar voar subir subir. Há coisas que são pelo menos durante a próxima década melhor executadas localmente. Ninguém em sã consciência vai editar remotamente uma apresentação de Powertpoint com dezenas de vídeos. Um livro de 300 páginas cheios de ilustrações também engargalará a mais generosa das conexões.

O que a Microsoft percebeu é que as pessoas querem acesso a seus dados. Sempre. De forma transparente. E sim, querem poder editar esses dados sem precisar baixar (explicitamente) ou converter. Daí a adição do Office Web Apps ao Skydrive, que até então era um serviço marromenos que conseguia menos divulgação que o gDrive, que sequer existe oficialmente.

Na apresentação nós vimos o Office Desktop integrando-se com o Skydrive e com o Web Apos, de uma forma não-POG como nada que o Google tenha. É uma excelente solução para o mundo corporativo que não quer comprar uma tonelada de licenças do Office mas quer ter unidade entre os documentos da empresa.

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A Marcela Martins, da FSB como sempre não deixou faltar nada no evento. Exceto japinhas.

Outra característica estratégica é a colaboração. Pela primeira vez será possível editar documentos em grupo no Office (sim o gMail faz isso) e manter um controle rígido de versões, mesmo com vários mexendo no mesmo arquivo, ao mesmo tempo.

A visão da Microsoft aponta para a disponibilidade universal, se há conexão, seus dados estão lá. Se não há, também estão. E para quem vive viajando, isso faz toda a diferença. Sem drama de sincronização, sem “o pendrive deu pau” e sem o “esqueci a apresentação no outro laptop”.

A mudança é interessante, o acúmulo de recursos em cima de recursos deixou de ser atraente para o consumidor. O Office havia se tornado uma espécie de Linux dos velhos tempos, onde ser complicado de usar era mérito, não defeito. Hoje complexidade deixou de ser ponto de venda. É bom pois ela ainda existe, debaixo do capô, mas os investimentos estão indo em outras direções, como a área colaborativa. Com isso os consumidores ganharão um Office com mais recursos, mas ironicamente acharão que ele está “mais simpleszinho”.

Para a concorrência, é hora de rever os conceitos. Não estamos falando mais de programas, estamos falando de experiências de uso. em múltiplas plataformas e múltiplos cenários.

No mínimo essa briga acaba de se tornar mais interessante.

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