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Pesquisa comprova: rodízio não serve pra nada (calma, não o de carne)

Existem idéias que ninguém questiona, primeiro por causa das boas intenções, segundo, por fazerem sentido, mas quando a Ciência entra no meio, o resultado pode não ser o esperado. Uma pesquisa avaliou o programa de rodízio veicular na Cidade do México, e o resultado vai surpreender você: não funciona.

30/03/2018 às 15:10

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Dizem que o caminho para o Inferno é largo, grande, direto e extremamente bem pavimentado com boas intenções. Todo mundo tem boas intenções, por mais incompreendida que seja a pessoa. Garantir mais espaço vital pra seu povo, ou fazer com que os trens andem no horário são boas intenções.

O problema, principalmente na área política é que as boas intenções não são acompanhadas de planejamento, e não há “accountability”. Aliás, um péssimo sinal não haver uma palavra em português pra esse termo.

Um exemplo de política governamental sem avaliação de resultados? Os rodízios de veículos. Todo mundo implementa, pois no papel faz sentido e reduz a quantidade de carros nas ruas, forçando o uso de transportes públicos, diminuindo a poluição, acabando com o aquecimento global e salvando os pandinhas das neves, ou algo assim.

Aí entra a chata da Ciência pra jogar água no chopp.

Lucas Davis, da Universidade de Michigan fez um estudo detalhado sobre os efeitos de 19 anos de rodízio na Cidade do México, uma das mais poluídas e engarrafadas capitais do mundo. O paper, de título The Effect of Driving Restrictions on Air Quality in Mexico City concluiu várias e inconvenientes verdades.

A maior delas: proibir metade dos carros de trafegar em dias alternados teve ZERO efeito na poluição atmosférica. Todas as reduções foram causadas por exigências mais restritas de emissões e melhoria na tecnologia.

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Calma que melhora.

A restrição imposta pelo governo pretendia que as pessoas usassem o transporte público, mas não levavam em conta que, assim como once you go black you never go back, quem se acostuma a andar de carro não aceita ter que se misturar com aquela gentalha nos trens e metrôs. O uso desses serviços permaneceu inalterado praticamente.

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Sabe o que aumentou por causa do rodízio? O numero de táxis. Em 1989 a Cidade do México tinha 1 táxi pra cada 100 habitantes. Com o rodízio esse número aumentou 7,8% por ano.

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Ah, e sabe o que subiu também? As vendas de gasolina na cidade.

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Isso tem um motivo, e não é só o aumento do táxi. O mexicano é basicamente um brasileiro que fala espanhol, só muda o CEP do shithole. Ele segue a Lei de Gerson, quer levar vantagem em tudo, então para burlar o rodízio, basicamente trocaram o carro novo por dois carros velhos, com placas alternadas.

No final o sujeito anda com um carro mais poluente, dirige a mesma quantidade de quilômetros todos os dias mas hey, os burocratas do governo estão felizes pois o rodízio foi implementado e ainda entra a grana das multas que não somem graças a propinas (está na pesquisa também).

A conclusão é óbvia: a não ser que você tenha um sistema de transporte público excelente, ninguém vai deixar de andar de carro para se enfurnar em uma van xexelenta ou um BRT cheio de assaltantes. Forçar restrições só cria má-vontade e atiça a criatividade de gente disposta a burlar o sistema.

O efeito final é zero, com o trânsito piorado com o aumento de táxis e vans rodando pela cidade. Mas claro, o importante é a prefeitura fingir que está fazendo alguma coisa.

Fonte: Lucas W. Davis, The Effect of Driving Restrictions on Air Quality in Mexico City.

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