Meio Bit » Baú » Engenharia » O Foguete Ping-Pong

O Foguete Ping-Pong

Foguete Ping-Pong é o melhor jogador de tênis de mesa da China? Não, claro que não, é algo bem mais raro: uma tecnologia desenvolvida nos anos 60 onde um foguete seria lançado e, em vez de cair no alvo, daria meia-volta retornando ao ponto de partida. Clique, leia e veja que faz sentido!

20/02/2018 às 17:24

57b63582ce38f233008b7ac9-750-375

Eu sei, eu sei, “Foguete Ping-Pong” é perfeitamente adequado como apelido racista de um jogador chinês de tênis de mesa, mas estranhamente, não é. Estranho aliás é o termo-chave desta história, que basicamente não existe na internet: há pouquíssima informação, mas o suficiente pra ser contada. Então, como disse o assessor mais incompetente do Dalai Lama em 1950, esquece a China.

Antes do advento da microeletrônica, era impossível atingir níveis de automação razoáveis em um espaço pequeno. Mesmo aqueles drones de R$ 100,00 que cabem na palma da mão são maravilhas tecnológicas, chips fazendo milhões de operações por segundo alimentados por microssensores que deixariam engenheiros da Apollo sexualmente excitados mantém estabilizado um brinquedo que é por natureza instável.

Nos anos 60 isso não existia, pois para manter a farsa do pouso da Lua mais realista Stanley Kubrick proibiu que fizessem engenharia reversa da nave de Roswell. Até havia drones (isso é um quase-cacófato) mas eram imensos e desajeitados, basicamente aviões de verdade sem piloto. Se num campo de batalha um comandante quisesse obter inteligência do inimigo alguns km adiante, teria que escolher uns 3 ou 4 buchas, batizar de Pelotão de Reconhecimento e mandar até lá.

Eis que surge uma idéia da Lockheed: o Foguete Ping-Pong.

O conceito é genialmente simples: um foguete portátil é lançado em uma trajetória balística até o alvo. Chegando perto ele começa a tirar fotos. Esgotado o roto de filme um retrofoguete na ponta do bicho é ativado, ele faz uma trajetória reversa, e cai de paraquedas nas mãos de quem o lançou.

ping-pong

O foguete é estabilizado por 4 aletas, que têm um design bem interessante: ficam em um anel deslizante, assim quando o foguete sai do tubo de lançamento elas são capturadas por um ressalto no corpo principal e passam a agir como aletas convencionais de qualquer tipo de foguete giroestabilizado.

Quando o retrofoguete é acionado e ele dá ré, o anel desliza da traseira para a então frente do foguete, que vira a nova traseira, devidamente estabilizada.

O pior de tudo é que essa idéia esquisita deu certo: o foguete foi testado e funcionou, mas nunca foi implementado. Talvez por ser uma excelente forma de avisar ao inimigo onde você está, e em condições reais no meio de uma selva seja um tanto complicado achar o foguete, que seria levado pelo vento. Além do tempo necessário para revelar o filme.

No final o grosso do trabalho de reconhecimento acabou sendo feito por bichinhos como o Cessna O-1 Bird Dog.

1280px-o-1a_bird_dog_in_flight_over_vietnam

Leia mais sobre: , , .

relacionados


Comentários