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Diretor de Star Trek: Sem Fronteiras vai adaptar Lobo Solitário

Diretor de Star Trek: Sem Fronteiras reafirma compromisso de adaptar o mangá Lobo Solitário em uma nova versão para o cinema; roteirista de Seven: Os Sete Crimes Capitais entra no projeto.

20/10/2017 às 13:35

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Ao que tudo indica Hollywood não vai desistir de adaptar obras da cultura pop japonesa, não importa o quanto alguns reclamem. Agora é a vez de Justin Lin, diretor de Velozes e Furiosos 5 (considerado um dos melhores da franquia), V&F: Desafio em Tóquio e Star Trek: Sem Fronteiras confirmar mais uma vez que irá adaptar para o ocidente uma das obras japonesas mais seminais: Lobo Solitário, considerado um dos mangás mais influentes de todos os tempos e um dos melhores (se não o melhor) de sua categoria em toda a história.

Lin está tocando o projeto através de sua produtora Perfect Storm Entertainment junto com o produtor Joshua Long e com Marissa McMahon, da Kamala Films. Ele também já revelou o desejo de dirigir o filme, embora os processos em torno da adaptação de Lobo Solitário para o ocidente ainda estejam em seus estágios iniciais. Não há nenhuma informação sobre elenco ou quando ele começará a ser escrito ou filmado, quanto mais data de estreia. A única certeza é que sim, o projeto saiu do Development Hell em que estava enfiado a pelo menos meia década.

Embora seja um mangá, Lobo Solitário nem de longe é uma leitura indicada para jovens: publicado entre 1970 e 1976 com o título Kozure Ōkami (“Lobo Acompanhado de Filhote”, bem mais próximo ao título em inglês “Lone Wolf and Cub” do que o em português) por Kazuo Koike (roteiro) e Goseki Kojima (arte), a trama se passa durante o Período Edo e é centrada no samurai Itto Ogami, um ex-executor do Xogum (um posto de alta confiança) que após uma trama orquestrada pelo clã rival Yagyu (na pessoa do líder Yagyu “Retsudo” Munefuyu, que é uma figura histórica) é acusado de alta traição e condenado ao seppuku (suicídio ritual, também conhecido como harakiri) junto com seu filho recém-nascido Daigoro. No entanto ambos decidem sobreviver e viver como Ronins, párias perante à sociedade e perseguir a vingança através de um caminho de morte e desolação que irá arrastar ambos para o inferno pouco a pouco (embora seja uma criança, o pequeno Daigoro não é inocente e sabe seu papel nessa história), mas que também levará aqueles que os desgraçaram à destruição.

Vale lembrar que Lobo Solitário já teve uma passagem no ocidente e não me refiro à aparição de Itto Ogami e Daigoro em Samurai Jack: o mangá foi adaptado originalmente em uma série de seis filmes lançados no Japão entre 1972 e 1974 (curiosamente ele nunca recebeu uma versão em anime em seus quase 50 anos de existência) e os dois primeiros foram editados e lançados nos Estados Unidos em 1980 como um filme só, chamado Shogun Assassin:


rolfjust — SHOGUN ASSASSIN HD Trailer

Lobo Solitário também foi adaptado como uma série de TV, que chegou a ser exibida aqui pela TVS (hoje SBT) com o nome O Samurai Fugitivo e como um game para Arcade bastante obscuro; o mangá por sua vez foi publicado pela primeira vez nos EUA em 1987, em que ganhou capas desenhadas por Frank Miller (cuja influência é visível em em obras como Sin City e mais evidente, em Ronin) e algumas editoras tentaram publica-lo aqui, até a Panini lançar todas as 28 edições e concluir a obra. Atualmente a editora publica a continuação Novo Lobo Solitário (Shin Kozure Ōkami no original), que conta com roteiro mais uma vez de Koike mas com arte de Hideki Mori, no lugar de Kojima que faleceu em 2000. Ao todo são mais 11 volumes.

A tarefa de adaptar o roteiro de Lobo Solitário ficará a cargo de Andrew Kevin Walker, o que é uma boa escolha dado seu currículo (Seven: Os Sete Crimes Capitais, 8 mm, Sleepy Hollow) mas ainda assim, comprimir uma história desfiada em quase 30 volumes não é uma tarefa fácil; do lado de Lin, seu desejo de levar Itto e Daigoro mais uma vez para as telas é bem antigo, data de 2012 quando a Kamala Films adquiriu os direitos. Embora haja uma preocupação dos fãs sobre adaptações ocidentais de obras japonesas, e mesmo levando em conta que este mangá é considerado uma obra-prima entre seus pares ele nunca foi muito popular entre a massa, sendo mais reconhecido entre a crítica, desenhistas e roteiristas em geral. E Lin não é um amador, logo pode-se esperar por um bom filme que siga a linha violenta e tensa do original.

No mais é aguardar para ver: ainda não há nenhuma previsão de quando a nova versão de Lobo Solitário chegará às telas.

Fonte: The Hollywood Reporter.

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