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Da arte de transformar espadas em arados

Reaproveitar material deixado para trás em guerras é uma tradição humana. Neste texto vamos conhecer dois exemplos, muito pequenos mas demonstrativos de como humanos podem ser inventivos.

19/10/2017 às 10:30

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25 de novembro de 1941 não foi o dia de sorte de Stanislav Tocauer, piloto tcheco voando pela RAF. Ele estava retornando para a base quando seu Spitfire deu problema. Ele estava baixo demais para saltar, a alternativa era tentar um pouso de emergência: abaixo lindos e planos descampados, perfeitos exceto que alguém decidiu espalhar um monte de vacas, que pastavam felizes indiferentes à geopolítica da Europa.

Ele acabou se estabacando em uma colina em Swansea, País de Gales, dando PT no avião. Tocauer sobreviveu, foi abatido na Hungria, capturado pelos alemães e terminou a guerra prisioneiro.

Seu avião foi recolhido pelos técnicos da RAF, mas o dono da fazenda pediu e ganhou uma lembrança: uma roda do avião.

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O presente foi muito bem-vindo: na fazenda dos Glasbrooks o único carrinho de mão usava uma roda de madeira com aro metálico, atolava toda hora.

O novo e tunado carrinho de mão foi usado por décadas, até literalmente se desfazer, mas a roda foi mantida como relíquia. Uma peça de guerra transformada em algo útil e pacífico. Não foi a primeira vez, nem seria a última. As guerras sempre acompanharam a Humanidade, e as pessoas se tornaram experts em transformar espadas em arados.

Um exemplo clássico pode ser encontrado no Sudeste Asiático. Durante a guerra do Vietnã, a única coisa que os EUA jogavam no chão mais do que bombas e a popularidade da Jane Fonda eram tanques de combustível, usados pelos caças.

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Desenvolvidos na Segunda Guerra e originalmente feitos de… papel, os tanques aumentam muito a autonomia dos caças, e depois de vazios são ejetados. Sim, azar de quem está embaixo. Em tempos de paz você levará um belo esporro se jogar fora seus tanques de alumínio e com um preço bem respeitável. Em tempos de guerra, a regra muda.

Nos EUA entusiastas descobriram que podiam comprar tanques em leilões de excedentes militares, e eles eram perfeitos como carroceria de carros de corrida. Foram criados então os Lakesters:

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Já na Ásia o pessoal se preocupava menos com esporte e mais com sobrevivência. Vietnã é um país com uma rede hidrográfica imensa e poucas estradas. Vilas no meio da selva muitas vezes só se comunicam por rio, e há uma tradição de séculos na confecção de barcos de madeira, mas isso é trabalhoso e os barcos não duram muito.

Com a guerra literalmente milhares de tanques foram jogados de aviões na floresta e outros tantos abandonados quando os americanos voltaram para casa. O resultado? Alumínio para ser derretido e transformado em panelas, no caso dos tanques muito destruídos, e barquinhos quase prontos no caso dos mais intactos.

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A necessidade, como dizem, é a mãe da invenção, e a preguiça é pelo menos a tia. Não que estejam errados.

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