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Mídia Física - Que seja eterna enquanto dure (pouco)

12/10/2009 às 11:19

A vida não é um conto de fadas. Mesmo instituições como o Casamento não são o que a propaganda vende. "Felizes para sempre" não existe. Você sabia que 50% dos casamentos acaba em divórcio e a outra metade, em MORTE?

Por isso sempre fiquei com pé atrás ao ouvir promessas de vendedores, mas algumas conseguem decepcionar mesmo os mais adeptos do ceticismo racional. A durabilidade das mídias físicas, por exemplo.

Neste artigo do Akihabara News o autor descreve como achou um cartão de memória CF, durante uma expedição a um parque nacional no Japão. O cartão estava enlameado, exposto ao Sol (e consequentemente chuva, vento, tempestade, Gojira, etc) desde 2003, mas após uma limpeza funcionou perfeitamente. Seis anos sob as intempéries (sem quis escrever intempéries) e ainda funcionava, impressionante, não?

Não deveria. Tenho livros de antes da 2a Guerra Mundial que "funcionam" perfeitamente. Há tábuas de argila com quase 5000 anos de idade que ainda "funcionam". Hoje em dia a promessa "felizes para sempre" do armazenamento de dados é tão Eterna quando o casamento do Fábio Junior com a Patrícia de Sabrit.

Os CDs quando lançados tinham vida estimada em 100 anos. Todos acharam o máximo (exceto os sumérios e egípcios) mas nem isso foi cumprido. Tenho DVDs aqui que já ressecaram e soltaram a camada de dados. Fui obrigado a ripar meu Caçada ao Outubro Vermelho, o disco apresenta rachaduras no anel interno. Outros, no caso de CD-Rs simplesmente não funcionam mais, apesar de nenhum risco ou arranhão ser visível.

Dada a quantidade de dados geradas por um geek anualmente, backups em DVDs ou mesmo BluRays estão fora de questão, mesmo não levando em conta a fragilidade. A solução mais prática embora cara talvez seja guardar sua memória digital em meio físico, como HDs usando RAID para garantir integridade dos dados.

Como uma guerra nuclear é uma possibilidade menos provável hoje em dia um pulso eleotrmagnético pode ser desconsiderado como risco, mas ainda há o problema de roubo e dano por incêndio, por exemplo. Onde colocar o backup do backup?

A Nuvem pode ser uma alternativa, mas ainda sou conservador demais para vê-la como solução principal. Estamos muito dependentes da solução de segurança mais fraca conhecida pelo Homem, a senha. Não adianta ter níveis de criptografia altíssimos se algum idiota monta um script em Python, roda durante alguns meses um ataque de força bruta e descobre que minha senha é "vendramini". (5s de engenharia social também servem, nesse caso)

Eu entendo a Nuvem como um excelente backup do backup, para armazenar conteúdo digital criptografado. O Amazon S3 - Simple Storage Service está se saindo uma alternativa usada por praticamente todo mundo. Oferecem redundância, facilidade de acesso, armazenamento pesado, etc, tudo por US$0,15 por GB/mês.

Uma alternativa interessante para quem não quer pagar só pelo armazenamento é utilizar serviços como o Dreamhost ou o Bluehost para hospedar sites E de quebra subir seus arquivos criptografados de backup. Vira uma Nuvem de Pobre, eficiente o bastante para ser considerada até por mim.

Estamos lidando com nossas memórias, que nunca foram tão frágeis. Ou paramos, pensamos e planejamos ou corremos o risco de descobrir um belo dia que perdemos tudo, e nossas lembranças estão perdidas para sempre, como lágrimas na chuva. E sim, já usei essa referência, não seja um implicante.

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