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Água batendo no derrière, EUA aceleram programa anti-mísseis balísticos

Se preocupar com mísseis nucleares estava fora de moda, mas agora com a Melhor Coréia construindo os próprios brinquedos os EUA perceberam que estão pateticamente inadequados em sua tecnologia de defesa. O jeito é correr atrás, e adiantaram uma boa grana pra terminar um programa de interceptadores orbitais 5 anos antes do prazo. Será suficiente? Só o Grande Líder sabe… muhahaha

29/05/2017 às 22:05

supaman42

Nos anos 80 o programa Guerra nas Estrelas ensinou cientistas E burocratas que nove mulheres não fazem um filho em um mês, e há um limite na quantidade de tempo que se ganha ao despejar caminhões de dinheiro em um projeto. O otimismo exagerado também foi infundado: lasers orbitais eram bem mais complicados do que pareciam no papel e nos livros de ficção científica.

Com o fim da Guerra Fria os investimentos em armas de ponta caíram muito, e interceptação de mísseis deixou de ser prioridade. Russos e Chineses atacando os EUA é um cenário que simplesmente não existe, mesmo nos tempos de hoje com Putin e seu discurso exagerado. Alguns programas continuaram, como o da Marinha: hoje, um dos raros interceptadores operacionais é uma joint-venture Japão-EUA.

Outros projetos foram colocados na geladeira, como os interceptadores cinéticos da Raytheon. É danado de difícil você conseguir a precisão necessária para lançar um foguete levando um projétil autoguiado e colocá-lo em trajetória de colisão com um alvo lançado em direção oposta, a uma velocidade combinada de mais de 14 km/s.

Isso significa que se você errar os cálculos do momento da interceptação por 1 décimo de segundo, terá errado o alvo por 1.400 metros.

Mesmo uma precisão de um centésimo de segundo não é suficiente, a margem de erro é de 140 metros. Para um interceptador cinético atingir o alvo, com margem de erro de 1,4 metro; ele precisa ser preciso numa margem de 0,0001 s.


stealthyf23 — Kinetic Energy Interceptors: Surface Navy

Essa dificuldade fez com que em 2009 o programa fosse basicamente abandonado, mas em 2015 uma versão modificada foi apresentada: acharam umas moedas entre as almofadas do sofá e começaram a trabalhar, mas com uma data de finalização de 2030 ou um pouco depois. Fora isso as defesas contra mísseis balísticos continuam pateticamente ineficientes.

Eis que o Grande Líder se mostrou bem eficiente tocando o programa de mísseis da Melhor Coréia e, por mais que a gente sacaneie, hoje ele está com uma taxa de sucesso de 0,71; ou seja: a cada 10 mísseis lançados, 7 funcionam. O alcance vem aumentando também. Hoje com muita sorte ele consegue atingir as bases americanas em Guam. As do Japão já estão no alcance faz tempo.

Repetir que a Melhor Coréia não tem tecnologia de verdade não está impedindo que eles desenvolvam essa tecnologia: eles já tem até misseis lançados de submarinos e, por mais que o submarino lançador de mísseis balísticos deles seja acompanhado 24/7 por um submarino nuclear de ataque, pronto pra afundar o bicho ao primeiro sinal de perigo, não se brinca com esses mísseis.

Vendo que o maluco de lá não tem quem o controle, e em caso de guerra ele tem poucos motivos para não chutar o pau da barraca e mandar Honolulu pro Inferno, os EUA colocaram uma rubrica no orçamento de defesa pro ano fiscal de 2018 reservando US$ 259 milhões pro desenvolvimento de sistemas MOKV — Multi-Object Kill Vehicle, uma evolução dos interceptadores cinéticos onde vários interceptadores são lançados de um único foguete.

Além de ser mais econômico isso aumenta as chances de acertar mísseis únicos ou com ogivas múltiplas e/ou chamarizes. Tipo este conjunto aqui, DEZ ogivas termonucleares, cada uma programada para um alvo específico na mesma região. Isso definitivamente estraga seu dia:

mirvbus

O prazo foi bem encurtado, agora a meta é tornar o MOKV operacional em 2025. É uma aposta de que a Melhor Coréia não vai conseguir aperfeiçoar e produzir MIRVs (multiple independently targetable reentry vehicle) em massa até lá.

Fonte: Next Big Future.

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