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Esquadrão Leônidas — os Kamikazes de Hitler

No final da Segunda Guerra a Alemanha buscou soluções desesperadas. Poucas foram mais dramáticas do que o Esquadrão Leônidas, um grupo de pilotos suicidas dispostos a morrer pelo Reich pilotando bombas voadoras. Qual o nível do desespero? Nem Hitler estava confortável com a idéia.

23/05/2017 às 7:31

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Sim, isso que você está vendo parece muito uma bomba voadora V1, o primeiro míssil de cruzeiro do mundo, foi uma das primeiras Armas de Terror, e matou bastante gente na Inglaterra, até os pilotos da RAF pegarem a manha de seguir os vetores dos radares, emparelhar e dar um toquinho com a ponta da asa, jogando a V1 em uma espiral.

O detalhe que você está estranhando, é a existência de um cockpit. Seria para um estagiário reportar o comportamento da bomba até o alvo, e assim aprimorarem a tecnologia? Nah, era para algo bem mais sinistro: o Esquadrão Leônidas.

Quando a situação da Alemanha já não era mais tão promissora, começaram a estudar meios de causar o máximo de danos aos Aliados. O racional, se é que dá pra usar o termo, é que quando o sujeito não está preocupado com a própria vida, é muito mais arrojado e ousado, romperiam as defesas e acertariam navios, os alvos principais, pilotando seus aviões cheios de explosivos.

Originalmente deveriam usar o Messerschmitt Me 328 mas atrasos no projeto inviabilizaram a solução.

A idéia alternativa foi adaptar a bomba voadora V1. Removeram os equipamentos de navegação, instalaram um assento de madeira, um cockpit com instrumentação básica e terminaram com uma bomba voadora capaz de atingir 800 km/h em mergulho, a Fieseler Fi 103R Reichenberg.

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Não, não tem dock pra iPhone.

Os pilotos inicialmente seriam presidiários, mas alguém se tocou que colocar um detento no comando de uma aeronave a jato carregada de explosivos e mandar ele se matar poderia não trazer os resultados desejados. Voluntários foram então chamados, e apareceram 70.

Formou-se o Esquadrão Leônidas, em referência ao Rei de Esparta, mas o Alto-Comando nazista não gostava muito da idéia. Herman Göring não apoiava, e Hitler era abertamente contra, para ele a idéia de suicídio não combinava com a imagem do Guerreiro Ariano, e a bomba voadora pilotada nunca foi colocada em operação.

Aviões mais convencionais foram escolhidos, o fator suicida do esquadrão foi um pouco reduzido mas nunca deixou de ser o foco. Hitler determinou que só ele poderia autorizar o uso do Esquadrão Leônicas, e ele acabou voando entre 17 e 20 de abril de 1945, em uma desesperada tentativa de destruir pontes e atrasar o avanço soviético.

35 pilotos morreram e destruíram uma única ponte, um preço alto demais mesmo para nazistas em desespero. Depois disso o Esquadrão Leônidas nunca mais voou. Ao menos temos que dar esse crédito a Hitler, ele foi inteligente o bastante pra perceber que não se ganha guerra matando os próprios soldados.

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