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Análise: Shadow Complex

26/08/2009 às 11:23

Ah, como é bom encontrar um jogo que nos prende do início ao fim, não é mesmo? Ao jogar o Shadow Complex, fui fisgado desde os primeiros minutos do demo e nesta análise lhes direi porque este é um dos melhores títulos disponíveis para compra na Xbox Live. Como seria bom se todos os games proporcionassem a mesma diversão deste e custassem tão pouco…

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Conspirações, guerra, terroristas e um salvador

Baseado no livro Empire escrito pelo americano Orson Scott Card, o enredo de Shadow Complex gira em torno de uma iminente guerra, contudo, ao invés de inventar outra 3ª Guerra Mundial, Card pôs a criatividade para funcionar e propôs uma nova Guerra Civil americana, onde o país seria novamente dividido em dois. Já de início o game coloca o jogador no meio de um atentado contra o atual vice-presidente e fica claro que um grupo terrorista chamado Restoration possui controle sobre muitos cargos da segurança nacional.

Passamos então a controlar Jason Flemming, filho de militar mas que não seguiu a carreira e que está explorando uma caverna com sua nova namorada. Após se perder da moça, Jason descobre que a mesma foi raptada e levada para uma enorme instalação subterrânea. Começa então a tarefa de resgatar Claire, entender o que está acontecendo e tentar desmantelar esse grupo fortemente armado e neste ponto não estou exagerando, a Restoration possui em seu arsenal helicópteros de última geração, tecnologia de ponto e até mesmo mechs muito legais.

3 dimensões, mas com a boa e velha jogabilidade 2D

Ao entrar no jogo pela primeira vez, o que mais chama a tenção em Shadow Complex são seus belos gráficos. Contando com cenários todos feitos em 3D, o game possui sua movimentação apenas usando duas dimensões. Quem é da era 8/16 bits, com certeza se sentirá em casa e ficará maravilhado ao ver como o trabalho foi bem feito.

É notório que a maior inspiração do game criado pela competente Chair Entertainment foi o clássico Super Metroid. Praticamente todos os elementos do antigo jogo para Super Nintendo estão presentes, como as super corrida, o grampo para nos pendurarmos nas paredes, as bombas, os itens secretamente espalhados pelo mapa, enfim, mas para não ficar apenas numa cópia barata, os produtores conseguiram aperfeiçoar a mira de forma magistral.

Funciona mais ou menos assim, enquanto estiver jogando, inimigos estarão dispostos nos cenários em diversos planos. É comum ver um soldado caminhando em um corredor perpendicular ao que estamos e para enfrentar eles, basta movimentar a mira da arma com o analógico direito do controle. O game se encarregará de colocar o laser da arma neste inimigo e basta ao jogador apertar o gatilho. É verdade que este detalhe pouco acrescenta à jogabilidade, mas o efeito é tão bacana e intuitivo que fica até difícil imaginar um game do estilo que não faça uso dele.

Outro ponto que muito lembra o Super Metroid é o mapa. Divididos as salas em quadrados e mostrando cada setor com uma cor, ir de um lado para outro é relativamente fácil e para ajudar a vida dos jogadores, é mostrado uma linha que indica qual o próximo lugar a ser alcançado. Para aqueles que preferem se virar sozinho, esta ferramenta pode ser desativada.

Som na medida, gráficos quase perfeitos

A parte técnica do game é muito boa, principalmente se levarmos em conta que se trata de um título vendido digitalmente. Contando com boas dublagens, efeitos sonoros e músicas de extremo bom gosto, Shadow Complex consegue deixar muita megaprodução no chinelo.

A parte gráfica também é fantástica, com locações bastante variadas entre si e fazendo ótimo uso da versátil Unreal Engine 3. As minhas únicas ressalvas sobre esta parte são sobre o efeito ragdoll mostrado quando os soldados morrem e que muitas vezes proporcionam situações cômicas e principalmente, a modelagem dos personagens que não acompanha o nível de qualidade restante. A namorado do protagonista então, ficou horrível.

Um jogo de momentos inesquecíveis

Embora eu o tenha terminado sem coletar todos os itens, demorei pouco mais de 6 horas para ver os créditos subindo. Neste período, presenciei alguns momentos muito legais, como o caos mostrado no prólogo, a batalha contra o impressionante chefe final e uma parte onde, após inundar um setor e por onde devemos voltar submersos, o game fica quase em câmera lenta e uma bela música clássica é tocada. Neste momento tive a nítida sensação de que o jogo possui, além das qualidade previamente citadas, uma espetacular direção, tornando tudo muito parecido com um bom filme.

Outros detalhes interessantes são a estupenda direção artística e a forma como a história é contada, sem a necessidade de livros ou interrupção constante da ação. Em um ponto, por exemplo, estamos dentro de uma tubulação que passa em cima do refeitório dos soldados, dali podemos ouvir a conversa e saber um pouco mais dos planos de destruição da Restoration. Uma maneira interessante de deixar o jogador por dentro do enredo, mas que poucas vezes é bem usado.

veredicto
Shadow Complex me fez ficar extremamente feliz ao ver que os US$ 15 foram muito bem gastos. O game possui uma qualidade altíssima, ótima jogabilidade, enredo intrigante e um cuidado aos detalhes que digno de elogios. Muitos poderão se sentir ofendido por achar ele uma cópia descarada do Super Metroid, eu preferi o encarar como um belo elogio e aproveitei cada segundo. Posso garantir que vale o investimento, principalmente para quem gosta das aventuras de Samus Aran.

pros
- A boa e velha jogabilidade do Metroid;
- Muito ação, do início ao fim;
- A mira usando o analógico direito foi uma bela decisão;
- A armadura é bastante estilosa;
- Tudo indica que teremos uma continuação.

contras
- Podiam ter caprichado mais no acabamento dos personagens;
- Mesmo que tente, faltou um pouco de carisma ao protagonista;
- Faltou um grande vilão para apimentar um pouco o enredo;
- Eu queria ter a caixinha desse na estante.

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