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Vendas de disco de vinil subiram, mas poucos estão ouvindo

No Reino Unido a venda de discos de vinil explodiu em 2016, mas nem todo mundo compra o produto para ouvir.

11/04/2017 às 12:16

Essa é uma notícia que a maior parte dos leitores do Meiobit (fãs de tecnologia) não vão entender, mas que faz muito sentido. Segundo um relatório da indústria fonográfica britânica (BPI), no ano de 2016 foram vendidos mais discos de vinil do que nos últimos 25 anos juntos. Foi atingida a marca de 3,2 milhões de unidades vendidas (53% a mais do que em 2015). Junto a isso cabe lembrar que a venda de CDs caiu 10%, os downloads pagos caíram 30%, e o streaming subiu 68%. Números normais para o atual estágio da tecnologia.

A explicação para o número de vendas dos antigos bolachões, segundo a pesquisa, pode ser a recente morte de grandes nomes da música. O último disco de David Bowie, Blackstar, foi o disco de vinil mais vendido do Reino Unido. Agora vem uma outra informação que vai dar tela azul na cabeça de muita gente. Segundo um estudo do ICM Unlimited, apenas 52% dos compradores de discos de vinil realmente ouvem os bolachões. Na realidade, segundo o estudo, 7% dos compradores nem possuem aparelhos para reprodução destes discos. Então, qual o motivo das compras?

A resposta é simples: colecionismo. Uma coisa que a maior parte dos brasileiros nunca entendeu é que o disco de vinil nunca morreu. Ele desapareceu de países pobres por questões econômicas, mas continuou existindo no mundo civilizado. Os fabricantes se adaptaram e passaram a oferecer o produto em versões especiais voltadas para colecionadores. É muito fácil achar a maior parte dos lançamentos em uma versão especial em vinil. Colecionadores adquirem e guardam como item especial. Um investimento psicológico (a noção de valor é muito particular) e também financeiro. Algumas destas versões vão valer muita grana a médio e longo prazo.

Eu tenho amigos que compram a versão em vinil para guardar e o mesmo disco em CD para ouvir. Eu mesmo tenho várias versões especiais de filmes e CDs lacrados na estante. Possuo uma versão normal, e a especial está lacrada e sem uso. Não chego ao nível de querer guardar para vender, mas muitas delas não tive tempo de abrir ainda e degustar.

Sei que a música digital é o futuro, mas sempre vão existir pessoas que querem ouvir música, e não apenas escutar. Aquela sensação toda especial de sentar em um sofá, fechar os olhos e sentir tudo o que o artista tentou expressar com sua música. Independente de ser em vinil, CD ou SACD, o importante é ter qualidade.

P.S. - sim, eu sei que o som de um CD é bem melhor do que um vinil, mas em um aparelho bom a bolachona se sai muito bem.

P.S.2- querem entender um pouco sobre a questão do valor? Tentem achar para venda as versões originais (tem muita gente vendendo reprodução pirada com qualidade perto do original) do vinil (ou mesmo o CD) da trilha sonora da novela Vamp. Um pequeno exemplo de valorização de um produto.

Fonte: Blitz

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