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Você já viu um Trommelwähler?

Nós achamos que muita coisa na vida é natural, nada mais simples que uma maçaneta, mas um monte dessas coisas naturais são padrões 100% artificiais. Vide o Trommelwähler, este telefone alemão esquisito onde a discagem é com um cilindro, não um disco.

24/03/2017 às 10:30

trommelwaehler

Você já se perguntou por qual motivo dirigimos na faixa da direita e voltamos pela da esquerda? Ou por que parafusos são dextrogiros e não levogiros, ou por que sou pedante a ponto de usar esses termos? Existem convenções universais que poderiam ser completamente diferentes e fariam sentido do mesmo jeito.

Nossos teclados QWERTY são assim porque eram a melhor forma de evitar que as teclas das máquinas de escrever se emaranhassem, mas é um formato que não é mais eficiente que um DVORAK ou qualquer outro das dezenas de padrões existentes e esquecidos.

O Trommelwähler é um excelente exemplo de tecnologia em sua infância, com vários padrões disputando a supremacia. Originalmente telefones não eram “discáveis”, você falava com uma telefonista e ela te conectava com quem você queria falar. Quando as linhas começaram a se popularizar isso se tornou inviável, e foi inventado o sistema automático de discagem. O próximo passo era decidir a interface. O disco venceu, mas entre várias alternativas havia o Trommelwähler, desenvolvido pela Siemens nos anos 50.

Em vez de um disco, os números ficavam em um cilindro:


yesthatjwz — Trommelwähler

Não há nenhuma vantagem ou desvantagem gritante em relação ao cilindro, no máximo o Trommmewhatever ocupa mais espaço.

Há uma ótima cena sobre isso em Encontro com Rama, de Arthur Clarke. O astronauta encontra uma óbvia escotilha na nave alienígena, tenta girar e ela está travada. Ele pára por um momento, se lembra que os alienígenas de forma alguma precisam obedecer as normas de nossos parafusos e saca-rolhas. Gira ao contrário, e a porta abre.

Fonte: Laughing Squid.

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