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Relonch — um serviço fotográfico inacreditável, no mau sentido.

Soa inacreditável, mas tem um pessoal lançando uma câmera com um business model de 129 anos atrás, basicamente a mesma proposta e recursos de uma Kodak de 1888. Leia e choque-se com a cara-de-pau…

15/12/2016 às 18:14

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Em 1888 um sujeito chamado George Eastman inventou o iPhone de sua era: um gadget caro, mas que agilizava e otimizava tecnologias já existentes, criando todo um mercado em volta de si. Foi a primeira Câmera Kodak.

O slogan era “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”. E faziam.

Lembre-se: era praticamente a idade da pedra, não existiam shoppings, as lojas de revelação automática não tinham onde se instalar. A grande sacada de George Eastman foi perceber isso e vender junto com sua câmera de US$ 25,00 (US$ 665,00 em dinheiro de hoje) a logística.

A câmera vinha com um rolo de 100 fotos. Depois que você gastava todas, enviava a máquina pelo correio para a Kodak, que cobrava US$ 10,00 (US$ 266,00 atuais) e em troca instalavam um novo filme, recolhiam o antigo, relevavam as 100 fotos, emolduravam e mandavam de volta para você.

Caro? Com certeza, mas toda tecnologia nova é cara, mesmo assim a fotografia amadora nasceu com essa câmera, e hoje em dia qualquer idiota com um celular adoro tirar fotos.

Esse é o ponto. Hoje em dia basta ter um celular e você tem uma câmera amadora decente. Suas fotos vão para as várias nuvens, serviços se engalfinham para vender impressão, álbuns, etc.

Eis que um pessoal decidiu lançar a Relonch, este troço aqui:

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Notou, né? Não tem tela. Na verdade essa desgraça só tem um botão. Você não altera nenhum parâmetro, e se reparou bem também não tem Flash. Quantos megapixels e gigabytes? Tente achar no site, eu não achei.

O “diferencial” da Relonch é que ela vem com acesso 4G. Você tira as fotos, elas são enviadas para a empresa, onde uma “inteligência artificial” que muito provavelmente é uma sala cheia de chineses escolherá as melhores fotos, retocará, aplicará filtros e em 24 h enviará de volta para um app no seu celular ou um diretório em seu serviço de nuvem.

Então vejamos… temos uma câmera que:

  • não armazena fotos, envia direto, se você estiver fora da área de cobertura, não há como saber se ainda pode tirar mais fotos;
  • não permite que você veja as fotos que tirou, na hora;
  • não permite que você escolha quais fotos quer preservar;
  • não tem nenhum ajuste;
  • não disponibiliza os arquivos originais, muito menos RAW.

Quanto você vai pagar por todo esse privilégio?

US$ 99,00. Mas calma, não ligue ainda.

O mais inacreditável é que esse não é o preço da câmera, é o preço do serviço. Sim a Relonch é um serviço, US$ 99,00 é a ASSINATURA MENSAL.

“Ah, Cardoso, mas isso é pra quem não gosta ou não sabe mexer com tecnologia…”

Não, corninho, você não entendeu. O negócio precisa de um serviço de nuvem e um smartphone pra funcionar, ele envia as fotos DIGITALMENTE, pra usar esse troço o infeliz tem que ter um Dropbox ou Skydrive configurado, e saber usar um celular.

Ou seja: você vai pagar US$ 99,00 para fazer algo que seu celular é perfeitamente capaz de fazer, e mais rápido mais eficiente e mais prático.

Agora a suprema ironia: debaixo daquele gimp suit (não google) a Relonch é… uma câmera Samsung Galaxy NX, completa rodando Android e com uma imeeensa tela LCD:

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Dizem que pra todo golpe sempre tem um otário, mas nesse caso, apenas nesse eu prefiro acreditar que não, desta vez 100% das pessoas perceberão que é uma idéia idiota, uma proposta indecente.

Fonte: CNet.

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