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A Morte da Indústria Fonográfica ao vivo e a cores

06/07/2009 às 23:26

Um dos usos mais nobres e menos esperados do Twitter está sendo a divulgação de bandas. Não pelo velho spam, e nem pelo exemplo fracassado do MySpace, que no Brasil arregimentou 180.000 bandas, nenhuma aproveitável. O truque usado pelos novos e velhos músicos é simplesmente conviver com os outros usuários. Acaba-se com a obrigação de fã, cria-se uma relação pessoal e muita gente vai ouvir a música do cara não por ser o cara da banda, mas por ser o amigo do Twitter.

Sentiram a relação? Notaram a ausência de um elemento? Exato, não há gravadora aqui. O próprio músico pode fazer um pocket-pocket show via JustinTV como o Leo Jaime, subir vídeos pro YouTube por conta própria como o Ritchie, apenas bater papo e de vez em quando avisar sobre shows como a Mariana Belém, ou mesmo marcar saraus como o Tico Santa Cruz, dos Detonautas.

Aliás, é hoje, 6/7/09, 22h30min, Tico e Jorge Aragão no Justin TV. Se ele não for preso antes.

Motivo? Autopirataria. Em uma tentativa de quebrar o ainda existente esquemão do jabá, e dar acesso a seu material para as rádios pequenas, de interior, ele disponibiliza músicas do grupo para download, via twitter. Hoje mesmo liberou o download de "O Inferno São Os Outros". O gesto gerou reação imediata:

Em meio a toda a revolta dos usuários contra a gravadora, surgiu uma voz dissonante mas esclarecedora, o sempre pertinente Maestro Billy. Em uma mensagem lembrou que embora Os Detonautas sejam detentores do direito autoral, a gravadora detém os direitos sobre a gravação, por ter arcado com os custos de produção. Mas ao mesmo tempo "Muita banda famosa por aí já disponibiliza pelo menos uma música gratuita pra galera baixar e ouvir antes".

É justo. Eu não gostaria de investir US$300 milhões em um filme para ver o ator principal ir na TV e dizer "podem baixar". So que não é o caso. Não foi liberado um CD inteiro. Foi liberada uma música de trabalho, que seria enviada de qualquer jeito pelas gravadoras para as rádios, programas, críticos, etc.

As mesmas rádios, programas, críticos e etc que podem ter acesso "em primeira mão", independente de contatos, chantagens e favores, bastando apenas acompanhar o Tico no Twitter.

Perceberam onde entra o desespero da gravadora? Ela está sendo colocada de lado. De uma tacada não entra mais na distribuição e na divulgação. A venda final ainda não é amplamente eletrônica como nos EUA justamente por barreiras impostas pelas gravadoras moribundas.

Estamos vendo executivos arcaicos do alto de seus cabelos brancos atropelados por um mundo que não conhecem mas acham, em sua arrogância que conseguem deter. Teria sido a chance da indústria fonográfica se livrar de seus maus hábitos, se adaptar e prosperar, mas eles perderam esse bonde faz tempo, e Darwin é implacável.

Principalmente quando morde a própria mão que a alimenta, impedindo que uma banda divulgue o próprio trabalho, divulgação essa que inevitavelmente resulta em venda de discos.

O que acontecerá? Quem viver, verá. Exceto se você for um executivo de gravadora. No seu estado atual meu único conselho é "caminhe para a luz".

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