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This is The End: a BlackBerry desiste de produzir smartphones

Era inevitável: após resultados pífios BlackBerry enfim desiste de desenvolver seu próprio hardware; marca será terceirizada.

28/09/2016 às 9:32

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A gente sabia de antemão que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Após uma série de pataquadas cometidas pela companhia canadense por quase uma década e resultados fracos em sua tentativa de recuperação, a BlackBerry anunciou em seu mais recente relatório financeiro que está encerrando completamente o desenvolvimento interno de hardware.

Ou seja, no more smartphones BlackBerry. C'est finit.

A BlackBerry não vinha bem das pernas há tempos. Se olharmos apenas para o desenvolvimento de smartphones, categoria que ironicamente consolidou sozinha (por muito tempo seus aparelhos com teclados QWERTY foram desejados por todos) ela comeu bola por anos a fio. Em 2007, a chegada do iPhone foi recebida com extremo desdém, e o mesmo tratamento foi reservado ao Android. A empresa se recusou a perceber que os ventos estavam mudando, não investiu em mudanças significativas e afirmava aos quatro ventos que continuava sendo referência no mercado corporativo.

A BlackBerry se recusou a perceber que as companhias estavam migrando dos planos de compra de aparelhos em grandes quantidades para o modelo BYOD (Bring Your Own Device), já que a adoção dos smartphones da Apple foi massiva. O Android entrou nas empresas depois, quando o Google fortaleceu significativamente a segurança de seu sistema.

Isso porque não estamos contando com as presepadas no mercado de tablets: o Playbook, vendido como mais um iPad killer teve um recall de 1.000 unidades (melhor que a Samsung), sofreu um corte de preço absurdo, foi vendido no esquema leve três, pague dois e ainda por cima, ladrões passaram a mão em um lote de 5.000 PlayBooks e fatalmente fizeram mais dinheiro com o contêiner do que com os tablets.

Quando a BlackBerry percebeu, a água já estava no pescoço. Ela promoveu uma verdadeira revolução interna para cortar gastos e não falir, obviamente mandando uma leva enorme de funcionários embora para custear a compra de um jato. Como o mercado mobile não tinha mais espaço para seu sistema (mesmo com o BB10 sendo um excelente SO e tendo rendido aparelhos como o Z10 e o Passport) ela aderiu ao Android, lançando o Priv. Só que o estrago já estava feito.

Agora chegou o momento de aceitar a realidade: a BlackBerry não tem mais como continuar investindo em seu próprio hardware, e como forma de cortar gastos e se concentrar aonde terá mais lucro (software e soluções corporativas), o mais recente relatório financeiro (adiantando, o prejuízo do último trimestre ficou em US$ 372 milhões enquanto o lucro bruto foi de US$ 334 milhões; fazendo as contas grosseiramente ela ficou no zero a zero) trouxe a confirmação de que a empresa irá interromper por completo o desenvolvimento interno.

No entanto não será a última vez que veremos aparelhos móveis com o logo da empresa canadense, mas de agora em diante ela será terceirizada. Design, desenvolvimento, nada disso virá de Ontario novamente. Ironicamente, a decisão foi revelada dois dias após o lançamento do DTEK50, o dito Android mais seguro do mundo. Este será o último produzido inteiramente dentro da BlackBerry.

Dado o histórico de trapalhadas e declarações infelizes, eu diria que saiu barato para a empresa. Pelo conjunto da obra ela merecia ser varrida para baixo do tapete da história e desaparecer, mas ao menos o CEO John S. Chen, conforme havia adiantado em 2014 se moveu na direção menos prejudicial para manter a companhia viva. Já aos fãs da marca (só consigo pensar na Kim Kardashian neste momento, o que é irônico), meus pêsames.

Fonte: BlackBerry (cuidado, PDF).

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