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Relembrando: Shenmue

29/06/2009 às 12:14

No final de 1998, a então respeitada Sega chocou o mundo com um videogame extremamente potente. O Dreamcast parecia ser a volta por cima da companhia, depois de fracassar perante a “novata” Sony e o seu Playstation. Pouco mais de um ano após seu lançamento, o console receberia um dos jogos mais impressionantes já criados e Shenmue era capaz de mostrar toda a genialidade de seu criador, Yu Suzuki.

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Definido pelo seu idealizador como um FREE (Full Reactive Eyes Entertainment), Shenmue girava em torno de um rapaz chamado Ryo Hazuki e que ao chegar em casa vê seu pai ser morto por um homem que procura um item raro. Começa ali seu desejo de vingança e embora o enredo seja um tanto batido, a forma como a história se desenrola é bastante interessante, segurando nossa atenção durante o game.

O grande problema é que mesmo pensando em procurar o assassino de seu pai, Ryo não pode ser considerado um lutador e ele não faz ideia de onde procurar e aí está a grande sacada do jogo. Shenmue é pode ser considerado um simulador de vida, nele vemos a passagem entre dia e noite, mudanças climáticas, tínhamos que dormir, aprender a lutar e até trabalhar para conseguir dinheiro e começar a viajem que nos levará até Hong Kong. O nível de realismo era tão grande, que o sistema clima usado no game poderia repetir as condições climáticas reais ocorridas na cidade de Yokosuka durante os anos de 86/87, período e local onde o enredo se passa.

A princípio, o título parecia um RPG, onde tínhamos que andar pela cidade, conversar com outras pessoas para conseguir dicas e quest e assim progredir, porém, as variações na jogabilidade o tornaram um game singular. Durante nossas andanças pela vila onde o personagem morava, podíamos andar de moto, lutar dentro de bares e até jogar fliperama, com versões completas dos clássicos Sapace Harrie e Super Han-On, ambos criados por Suzuki. O jogo também estava repleto de “coisinhas” espalhadas pelo lugar, como um Sega Saturn que Ryo tinha em sua casa (mas que infelizmente não funcionava).

Em Shenmue a Sega também aproveitou para popularizar algo que já tinha sido utilizado, mas que ficou popular apenas após o sucesso do game, os QTE, ou Quick Time Events. Esse sistema nada mais é do que aquelas sequências de botões que aparecem na tela para que os jogadores as repitam. Qualquer um que tenha jogado algum God of War sabe do que se trata e na criação de Yu Suzuki ele foi muito bem implementado, ajudando na imersão e tornando as cenas que seriam não interativas em situações extremamente empolgantes.

Apesar de todas as suas qualidades, Shenmue não vendeu muito e estimasse que a Sega tenha gasto 70 milhões de dólares em sua produção. Para se ter ideia do tamanho do problema, muitos analistas afirmam que para ter dado lucro para a produtora, cada dono de Dreamcast teria que comprar pelo menos duas cópias do jogo. Isso fez com que o projeto sofresse sérias alterações e o game que foi idealizado para ser lançado em diversas partes, só acabou sendo lançado até o segundo game, este para o Dreamcast e posteriormente saindo para Xbox.

Se eu tivesse que fazer uma lista com os jogos que mais gostaria de ver um remake ou sequência, pode ter certeza que o memorável Shenmue estaria no topo da lista e quem jogou o game sabe o motivo. Quem sabe um dia os deuses dos videogames não me dão esta alegria.

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