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Melhor Coréia ameaça EUA com “consequências além da imaginação”

Melhor Coréia não gostou que o resto do mundo não gostou dos testes nucleares deles, e agora não gostaram dos americanos voando bombardeiros perto do país. Fizeram ameaças imensas, mas o pessoal pilotando o B1 não tá nem aí. Leia e entenda o porquê.

25/09/2016 às 17:19

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A Melhor Coréia é meu país de mentira preferido. São tão surreais que até os comunisteens (© 2016 @luide) têm dificuldade em defender. Só quem bebeu todo o kisuco do PSTU consegue.

Eles adoram uma retórica, e não há palco melhor para isso do que a ONU, onde o representante deles fez a festa uns dias atrás. Tudo por causa dos testes nucleares, parece que eles finalmente conseguiram explodir um artefato nuclear de potência razoável, o que não deixou nada feliz a vizinhança.

A ONU tomou providências, mandou uma carta bem ríspida. Os EUA por sua vez fizeram uma “demonstração de força” que significa gastar combustível para voar bombardeiros para a Pior Coréia, sobrevoar a Zona Desmilitarizada e meio que dizer “olha se quiser eu te ataco”, sem ter a MENOR intenção de atacar.

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Não foi assim e essa foto não foi lá.

Dessa vez a Demonstração Irrelevante de Força foi caprichada. Pela primeira vez os EUA voaram com seus três bombardeiros top na região da Coréia. Foram o B52, o B2 Stealth e o B1-B. Desses o B2 é o mais mortal, o B52 é o que vai enterrar os outros dois mas o B1 é o mais lindo. E a rigor ele nem deveria existir.

r_seaman@hotmail.com

O B1 parece mais um projeto de TI do que um avião, e você entenderá o motivo.

Suas especificações são de 1955, ano em que Doc Brown teve a idéia do capacitor de fluxo. A idéia era substituir o B52, que entrou em operação no mesmo ano mas já estava obsoleto. Para combater os soviéticos os EUA precisavam de um bombardeiro com velocidade Mach 2, capaz de operar em grande altitude e sem reabastecer capaz de levar 34 toneladas de democracia a qualquer alvo em um raio de 9.000 km.

A North American, provavelmente com ajuda de aliens apresentou o Valkyrie XB-70, esta coisa linda aqui:

North American XB-70A Valkyrie 3/4 front view (top) at the rollout. (U.S. Air Force photo)

A única coisa capaz de acompanhar um Valkyrie é um SR-71. Ele era o foco da doutrina de bombardeiros de grande altitude que deixariam os caças soviéticos para trás, soltariam suas bombas nos alvos e voltariam para casa, se houvesse casa para voltar, claro. Só que os americanos não contavam com a astúcia soviética, que não só desenvolveu mísseis interceptadores de grande altitude como caças para atacar esses bombardeiros.

A missão de penetração profunda (epa!) de território soviético se mostrava cada vez mais uma missão suicida e os mísseis intercontinentais tornavam bomboardeiros obsoletos. O XB-70 foi cancelado.

Tempo passa, tempo voa, Nixon se envolve naquele arranca-rabo no Vietnã e descobre que bombardeiros não servem só para levar armas nucleares, guerras ainda precisam de armamento convencional, e os B52 são lentos e vulneráveis demais. O projeto é restaurado desta vez com especificações de um bombardeiro de grande altitude para armamento convencional. A North American, agora chamada Rockwell ganha a concorrência de novo, e apresenta o B1-A.

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Capaz de Mach 2, com asas de geometria variável, é um monstro que vazio pesa 87 toneladas. Um 737 pesa 32 toneladas vazio. Ele deveria penetrar (ui!) espaço aéreo inimigo em alta velocidade e altitude, descer para ataques de precisão e se mandar. Deveria, mas ele de novo se mostrou um excelente alvo para os sistemas soviéticos.

Estudos mostraram que o B1 não tinha mais chance de sobreviver do que o velho B52, e em 1977 o Presidente Carter cancelou o programa. De novo.

O tempo passou, arranca-rabos em vários lugares do mundo mostraram a necessidade de uma plataforma melhor que o B52, e alguém no Pentágono decidiu que o B1 era perfeito para isso, só com uma pequena mudança: em vez de um bombardeiro Mach 2 de grande altitude ele seria um bombardeiro Mach 1 de baixa altitude.

A Rockwell teve que transformar um carro de rally em um trator.

Já no governo Reagan surgiu o B1-B, que apesar de ser vulnerável aos radares soviéticos, compensaria isso com equipamentos avançados de contra-medidas eletrônicas, comandadas por uma rede avançadíssima de oito computadores IBM AP-101, o ônibus espacial só usava cinco. Cada AP-101 pesava 29 kg, tinha 424 kB de memória e processava 480 mil instruções por segundo. Não, não rodava Crysis.

O B1-B foi usado em combate pela primeira vez em 1990, na Operação Tempestade no Deserto. De lá para cá ele deu as caras no Iraque, Kosovo, Afeganistão e agora na Síria. A doutrina era manter um no ar, 24 h/7 d para ataques em alvos de oportunidade. Coisa impossível com o B52, dada a falta de velocidade.

Nunca foi derrubado em combate, e como o B2 se mostrou um monstro de caro, a projeção é que o B1-B continue voando bem dentro da década de 2030.

Isso, claro, se conseguirem pilotos melhores que os JÊNEOS que em 8/3/2006 pousaram em Diego Garcia mas esqueceram do pequeno detalhe… de baixar o trem de pouso. Resultado? Vão pilotar uma mesa pelo resto das carreiras, e os contribuintes tiveram que pagar US$ 8 milhões em consertos.

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