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GE investe US$ 1,4 bilhão comprando duas empresas de impressão 3D

A GE está de olho e parece que a ponto de comprar duas empresas especializadas em manufatura não-convencional (3D, para os leigos). É um investimento de US$ 1,4 bilhão; e garanto que não é para imprimir Action Figures.

08/09/2016 às 19:51

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Imagine que você teve idéia de um parafuso diferente. Nada revolucionário, mas diferente. Você chega em uma fábrica com os planos, e diz: quero 1. Eles respondem: ok, fica pronto em um mês, custa R$ 20 mil. No mês seguinte você pede outro. Custa R$ 0,20 e entregam no mesmo dia.

Fabricação industrial depende de ferramentas, e fabricar produtos novos exige novas ferramentas, o que é muito, muito caro. Muitas vezes essas ferramentas são feitas manualmente, em tornos, uma técnica do tempo em que o Lula contava na Base 10. É muito caro e a indústria quer se livrar disso. Máquinas CNC ajudam mas são muito, muito caras.

O tempo e o custo de produção são fatores fundamentais, e mesmo o uso de materiais compostos não é suficiente. Uma lâmina de turbina de um motor a jato custa uns US$ 10 mil, e nem falo das do turbofan, como do GE90 feita de fibra de carbono:

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A indústria está trabalhando pesado em novas tecnologias de fabricação, e sendo honesto o título nem deveria ser sobre Impressão 3D, mas o clickbait e minha falta de vocabulário falaram mais alto. A aquisição da GE não foi de firmas que vendem impressoras 3D xexelentas como as da quase falida Makebot. Eles compraram a alemã SLM Solutions e a sueca ARCAM, ambas especializadas em manufatura high-tech.

Uma das técnicas é a chamada Manufatura Aditiva, uma espécie de impressão 3D de gente grande, com direito a algoritmos genéticos que criam estruturas biológicas, produzindo peças mais resistentes e mais leves que as tradicionais:

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Esse investimento da GE é estratégico, o santo graal é criar a chamada manufatura sem ferramentas. Basicamente um replicador de Star Trek, que converte energia em matéria, ou no caso matéria em outro tipo de matéria. Em 40 anos será quase impensável imaginar que cada peça plástica, cada rosca ou parafuso demandou moldes e máquinas específicas, nossa manufatura atual é absurdamente complicada e improdutiva.

Em um mundo ideal uma loja de autopeças teria um replicador ligado a um tanque cheio de latinhas de alumínio, e quando você quisesse um friso pro seu Fusca 74, era só imprimir um na hora. Sem estoques, sem dinheiro parado.

Claro, a meta mesmo é criar uma máquina que crie máquinas que criam máquinas, aí sim será divertido, já previu Von Newman.

Fonte: Engadget.

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