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Uber vai ter que encarar um novo rival: o Waze

O Uber que se prepare, pois o Google deu início à fase de testes do sistema de caronas via Waze; serviço pode se tornar um concorrente indireto

31/08/2016 às 11:01

waze

E o Google não perde tempo. A empresa, de olho no crescente mercado de transportes através de apps de caronas como o Uber, Lift e similares está há algum tempo desenvolvendo uma solução própria com o Waze como base, ainda que com um foco bem diferente. E agora os teste começaram oficialmente, a princípio na cidade norte-americana de San Francisco.

O piloto do projeto teve início em maio. Diferente do Uber e demais concorrentes o Google não pretende que o Waze seja utilizado como uma plataforma que permita aos motoristas atuarem como taxistas; a proposta é fazer com que estes e passageiros combinem um trajeto comum entre si (o app aponta apenas aqueles que se deslocam na mesma direção), de modo a reduzir o tráfego e privilegiar todos os envolvidos. As taxas a serem pagas aos motoristas seriam irrisórias, simbólicas mesmo a fim de funcionar apenas como um incentivo para a adoção da alternativa, e não como uma atividade de renda fixa.

Para se ter uma ideia, o piloto do programa pagava uma quantia de míseros US$ 0,54 por milha rodada (ou R$ 1,08 por km em valores de hoje), bem menos do que os motoristas do Uber faturam. Durante os testes o Google não descontava nada, mas é bem provável que quando o serviço entrar em ação para valer o cenário mude e o valor pago seja o suficiente apenas para cobrir parte dos gastos com combustível, nada mais.

waze-rider

E tem mais: durante a fase de testes o serviço não permitia que o motorista fique circulando procurando pessoas, ele funcionavas apenas duas vezes por dia. Logo o motorista só pode acionar o modo carona do Waze na ida e na volta do trabalho/faculdade/etc. Ao menos na teoria.

Está bem claro que a intenção do Google não é oferecer um serviço comercial como o Uber, apenas adicionar uma funcionalidade ao Waze que facilite a vida dos usuários e que renda alguns trocados (como o app Opinion Rewards). Ainda assim é fato que a função bate de frente com os interesses da companhia adversária, que já foi parceira de Mountain View. Em 2014 ela recebeu um investimento de US$ 258 milhões de dólares e até segunda-feira David Drummond, executivo da Alphabet Inc., holding do Google fazia parte do conselho da startup. No entanto ele se demitiu dado o aumento do atrito entre as duas, que estão concorrendo em várias frentes (ambas estão desenvolvendo carros autônomos).

Pode até ser que o serviço do Waze não gere tanta demanda visto que o Uber é mais interessante, mas o fato de gerar alguns tostões para quem não se enquadra como taxista (em São Paulo o Condutax é obrigatório para todos, mas quem opera por apps não precisa do alvará) poderá gerar uma incômoda dor de cabeça para a startup e outras empresas. Vamos observar como as coisas se desenrolam nos EUA e aguardar.

Fonte: The Wall Street Journal.

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