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Tecnologia (de 1803) vencendo o racismo

Quais as chances de uma máquina criada em 1803 ser importante em 2016 na luta contra discriminação racial nos EUA? Enormes, se a máquina for uma Autopen.

22/08/2016 às 19:13

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A questão racial nos EUA é bem complicada, e por mais que haja exageros de todos os lados, com gente dizendo que achar que gato preto dá azar é racismo, é inegável que a ala conservadora, principalmente do Partido Republicano, age abertamente contra os interesses da maioria das minorias.

Um dos meios que estão usando é restringir o acesso ao voto. Um exemplo: a fraude de boca de urna nos EUA é virtualmente inexistente, dá pra contar nos dedos da mão do Lula a quantidade de casos. Não importa, republicanos estão criando Leis locais exigindo que os eleitores compareçam com documentos de identidade, e especificam até o tipo, escolhendo a dedo coisas como carteira de motorista, que a população negra, principalmente a mais idosa, não tem.

Também estão restringindo o voto antecipado, lembrando que nos EUA eleição NÃO é feriado. Gente que trabalha ou mora longe da zona acaba não podendo votar. E adivinhe que grupo étnico mora mais nas periferias e têm menos autonomia para pedir dia de folga.

Agora uma sacanagem extra: em Virgínia, como em vários outros estados, ex-detentos perdem direito ao voto. Terry McAuliffe, o governador baixou um decreto reinstituindo os direitos eleitorais de milhares de ex-detentos: em registro, há 206 mil que já cumpriram as penas mas não tiveram os direitos políticos restaurados.

Os republicanos não gostaram, entraram na justiça e a Suprema Corte do Estado decidiu que o governador não pode tratar esses casos de forma coletiva; teria que ser decretada a restauração dos direitos individualmente.

Isso significa assinar — só no primeiro lote — 13 mil documentos, e a mão do pobre governador cairia, com mais certeza do que a do Izzynobre se lançassem uma Playboy da Tiazinha por mês.

Salvando os 13 mil ex-detentos e a mão do governador (o filho não tem jeito, o Miguel já pegou) entra na história um equipamento patenteado em 1803: o Autopen. Ou, na época como era chamado, polígrafo:

1804_Jeffersons-Polygraph-Monticello_Cville_VA

Era uma espécie de Xerox vintage. Você escrevia de um lado, a máquina replicava o mesmo texto do outro. Em casos de documentos com muitas cópias, secretários copiavam manualmente os textos e depois o figurão assinava vários de uma vez. Havia polígrafos que produziam 8 documentos de uma vez.

Com o tempo a máquina foi ficando mais e mais sofisticada, eletrificada e depois inventaram métodos de armazenar em discos a estrutura das assinaturas, eliminando a necessidade de o autor assinar o documento.

Já chamados de Autopen, os equipamentos eram usados por políticos, que não têm tempo de ler e assinar um monte de miudezas, e por celebridades, que sabem que é deselegante mandar uma foto autografada com o autógrafo impresso, e para desespero das lojas de memorabilia, usam direto máquinas para escrever, com canetas reais autógrafos falsos.

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RuiBphoto — MaxWriter front close up

Aos que vão inevitavelmente comentar mimimi isso é só um plotter, gostaria de lembrar que é apenas a evolução de uma tecnologia de 1803, uma época onde plotters não eram exatamente encontrados em qualquer loja.

Fonte: MetaFilter.

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