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Apple sobre abrir o NFC a bancos da Austrália: “nem pensar”

Principais bancos australianos querem que a maçã abra o acesso ao NFC, de uso exclusivo do Apple Pay; empresa diz que isso comprometeria a segurança.

10/08/2016 às 13:32

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A Apple vem trabalhando duro para promover seu sistema de pagamentos móveis em cada vez mais países, embora cometa algumas gafes de vez em quando. Enquanto a Samsung fez de tudo e lançou o Samsung Pay de olho nas Olimpíadas do Rio a maçã continua ignorando o país, e nem mesmo sermos sede do maior evento desportivo do planeta a fez se mexer nesse sentido.

Por outro lado ela tem enfrentado problemas onde resolveu atuar. Na China Cupertino leva uma surra da Alibaba, já que seu Alipay está presente até nas mãos de vendedores ambulantes (e que conversa com o Samsung Pay, veja só). Já na Austrália os grandes bancos têm empacado a adoção do Apple Pay, visto que a Apple insiste em blindar o NFC e não conversando com soluções de terceiros. E a empresa se recusa a mudar de estratégia.

O Apple Pay chegou à Austrália em novembro último e foi adotado por poucas instituições bancárias, operando apenas com cartões American Express e AZN. Era de se esperar que com o tempo mais bancos aceitassem a novidade e fechassem acordos com a maçã, mas os três maiores do país (Commonwealth Bank, National Australia Bank e Westpac) desejam que o sistema de pagamentos via NFC esteja disponível também para suas próprias carteiras virtuais, os quais eles próprios financiaram e desenvolveram. É fato que a Apple insiste na estratégia do Jardim Murado, o chip só conversa com o Apple Pay e mais nenhum outro tipo de solução externa, assim sendo a única maneira de utilizar um iPhone, iPad ou Apple Watch para realizar pagamentos é através da solução proprietária da maçã.

Como o cenário não é vantajoso para os bancos e de modo a evitar que a Apple negocie com cada um deles individualmente, os três grandes entraram com um pedido na Agência Australiana para Consumo e Competição (Australian Competition and Consumer Commission, ou ACCC) para que todas as conversas da maçã com os bancos sejam feitas de uma só vez, em conjunto e aberta.

A jogada é inteligente porque ao forçar a abertura do NFC, os iGadgets poderiam se tornar compatíveis com soluções como pagamento de passagens de transporte público, passagens aéreas, bilheterias e etc., sem falar que a possibilidade de conectar o Apple Pay a soluções como o Android Pay, o Samsung Pay e o Alipay é bastante interessante, o que ajudaria a diminuir a burocracia quanto à implantação do sistema em mais países se a Apple adotasse tal movimento.

Só que a maçã não quer nem saber dessa possiblidade. No entendimento de Cupertino restringir o NFC ao Apple Pay e tão somente é importante em suas estratégias de mercado em não deixar nenhum concorrente ou desafeto ter acesso ao sistema, fora preocupações com a segurança que é o que a Apple alega ser prioridade.

Em uma resposta formal às queixas dos bancos apresentadas à ACCC, a Apple diz que abrir o NFC significaria minar significativamente a segurança do Apple Pay, acusou os três grandes bancos de formarem um cartel e de ditarem as regras australianas para os pagamentos móveis. Bem, como de cartel a maçã entende então deve ser verdade.

O fato é que todo mundo tem sua parcela de culpa. Os bancos australianos estão forçando a barra de modo que a Apple ceda à pressões externas para que seus negócios não sejam prejudicados, enquanto que Cupertino não pretende deixar ninguém brincar no seu play se não ela mesma, e não quer dividir o bolo (embora o Apple Pay não reverta taxas ao usuário). É um cabo de guerra que ganhará quem for mais forte.

Fonte: Financial Review.

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