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NASA usa câmera com visão além do alcance

A tecnologia da NASA não serve só para ver coisas no espaço profundo. Também desenvolvem câmeras que mostram mistérios escondidos debaixo de nossos narizes, como a HiDyRS-X, uma câmera de alta velocidade multirange que é coisa de outro mundo.

09/08/2016 às 8:08

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Nós temos a mania de medir o mundo pelos nossos olhos, mas isso é uma ilusão. Não, não caprichei na ayahuasca, isso é real, nós enxergamos uma minúscula fração do espectro eletromagnético e mesmo assim há quem veja mais e quem veja menos. Há um expressivo percentual de mulheres mutantes com um quarto receptor de cores no olho, elas enxergam bilhões e bilhões de cores além das percebidas por nós humanos normais.

Observar eventos em faixas do espectro fora do normal é muito útil, pergunte pro Bin Laden, que foi obliterado por tropas do Seal Team 6 usando capacetes com visão multiespectral, combinando luz visível, ultravioleta, infravermelho, mapeamento 3D via laser, etc.

Ir além da visão normal é sempre útil, principalmente para a NASA. Um vazamento de combustível criogênico invisível a olho nu seria imediatamente detectado no infravermelho. Detalhes ocultos aparecem na frequência certa, sabendo onde procurar você acha até o Danny Glover (mas não o Arnold).

Um uso dessa tecnologia é a câmera High Dynamic Range Stereo X (HiDyRS-X), que como não consegui achar uma imagem, fica ilustrada com uma Tekpix:

tekpix

HDR não serve só pra fazer fotos medonhas no Instagram, permite que você combine diversas imagens, em condições diferentes de luminosidade e produza uma imagem mais detalhada.

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A quantidade de luz que entra pela lente é fixa, então uma área muito mais iluminada irá estourar. Se você diminuir o tempo de exposição as áreas menos iluminadas ficarão escuras. Por isso não vemos detalhes do céu nas fotos do pouso na Lua, os estagiários do Stanley Kubrick usaram LEDs fracos demais no estúdio para simular estrelas.

Capturar imagens HDR é fácil quando o objeto tende a não se mover muito, como uma casa ou um jogador de Magic, mas e o jato de um motor auxiliar do SLS, o futuro foguete da NASA?

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A HiDyRS-X consegue. O esforço que não foi gasto criando um nome pronunciável foi despendido produzindo um equipamento capaz de fazer filmes em alta definição, com altíssima taxa de captura e combinando frames com variados níveis de exposição.

Isso abriu todo um novo universo de visualização de imagens até então ocultas. Aqui o jato do QM-2, visto com uma câmera convencional:

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Como fica evidente a câmera tenta compensar mas a chama estoura, tudo fica branco. Aqui

nasa-hidyrs-x-camera-1577x431

Ironicamente a versão da HiDyRS-X parece mais falsa, lembra os efeitos em CGI de plasma de dobra em Star Trek: Primeiro Contato, mas às vezes é assim mesmo, a realidade é menos real que a ficção.

Durante o teste acima muita coisa deu errado. Perderam a ignição, o sistema automático não funcionou e tiveram que usar o acionamento manual. A vibração dos motores fez com que os cabos de força da câmera se soltassem, e no final a proteção das lentes e os suportes também se soltaram, e ela perdeu o final, mas o que foi gravado já rendeu toneladas de informações, mostrando uma queima como nunca havia sido visto antes:


NASA’s new High Dynamic Range Camera Records Rocket Test

Fonte: Digital Trends.

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