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Há 10 anos (ou quase), no túnel do tempo

01/06/2009 às 14:22

Estava fuçando em minha coleção de revistas sobre fotografia a procura de imagens e matérias úteis para utilizar na última aula do curso básico de fotografia que estava ministrando no Centro Paula Souza de Presidente Prudente, quando me deparei com uma que me chamou a atenção. Era a edição número 47 da revista Fotografe Melhor que foi publicada no longínquo ano de 2000. A capa trás uma foto magnífica de Maria Paula em um nu esplendoroso clicado pela fotógrafa Dadá Cardoso. Mas, não foi isso que me levou a escrever esse texto, e sim uma das matérias que estavam estampadas na capa da publicação que tinha o seguinte título: Câmera Digital: agora dá para usar profissionalmente.

Por incrível que pareça, não faz muito tempo que os equipamentos digitais eram apenas brinquedos curiosos. Há dez anos, falar que o filme seria substituído pela fotografia digital seria loucura. As primeiras câmeras produziam imagens que não poderiam ser aproveitadas nem para fazer uma ampliação básica de 10x15cm. Pensar que o digital poderia ser usado como uma ferramenta na vida profissional era verdadeira heresia. Eu mesmo cheguei a pensar desse jeito. Quando dei os primeiros cursos de fotografia em minha vida apenas citava os equipamentos digitais como uma curiosidade longe de nossa realidade de cidade do interior de São Paulo. Provando que tudo na vida pode mudar, nesse mês de maio eu ministrei o primeiro curso onde todos os alunos usaram exclusivamente equipamentos digitais. Uma grande mudança para apenas 10 anos.

Isso também nos leva a pensar na evolução desses equipamentos. A primeira câmera digital que comprei foi uma Sony Mavica FD-71. Ela tinha 10x de zoom ótico, usava como mídia de gravação um disquete comum de 3.5" e tinha a incrível resolução de 640x480 pixels. Hoje em dia, isso é resolução de web cam, mas na época era o máximo, sem falar que o preço que paguei foi uma verdadeira fortuna. Com ela me diverti muito, fiz várias experiências (pela primeira vez livre o custo de revelação dos filmes) e iniciei meus primeiros trabalhos dentro do nu artístico, justamente pela comodidade de não depender de alguém para revelar os filmes e, por ventura, espalhar as imagens registradas. Infelizmente, nenhuma dessas fotos, que ainda tenho guardadas, pode ser utilizada para uma ampliação decente, mas foi o início de minha história no mundo digital.

Depois dela passei a investir em câmeras com maiores definições, como a Sony P-73 (4 megapixels) e depois migrando para a linha de compactas da Fuji, onde começou uma história de amor e ódio que dura até hoje. Mas, uma coisa não mudou com a chegada do digital e nem com o aumento cavalar dos megapixels dos equipamentos. Essa coisa imutável é a linguagem fotográfica. Seja com a câmera profissional mais cara ou com uma pin hole feita com lata de leite em pó, o que comanda é o cérebro do fotógrafo. Como já diziam os mestres da fotografia: Pense antes, fotografe depois.

Só por curiosidade, as incríveis máquinas fotográficas digitais que estavam começando a entregar uma imagem de qualidade profissional no ano de 2000 e que foram destaque nessa edição da revista Fotografe Melhor, foram a Sony DSC-F505KJ (2 megapixels), a Olympus Camedia 2020 Zoom (2,1 megapixels) e a Kodak DCS 660 (6 megapixels). Interessante notar que nenhuma dessas câmeras pode ser encontrada hoje para a venda em lojas especializadas em equipamentos usados, enquanto as antigas Olympus Pen com 50 anos de idade ainda podem ser encontradas e em perfeito funcionamento. Estaríamos involuindo na durabilidade de nossos equipamentos ou tudo é uma lógica ditada pelo mercado?

E você leitor, qual foi sua primeira câmera digital?

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