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Cielo está experimentando um botão de compra no estilo da Amazon

Cielo e Braspag estão desenvolvendo e experimentando um dispositivo IoT com o mesmo princípio do Amazon Dash Button. Entrevistamos Gastão Mattos (Braspag) e Danilo Caffaro (Cielo) sobre o projeto.

23/06/2016 às 21:48

botao

Lá nos idos de 2014 rolou o boato de que a Amazon estaria desenvolvendo um botão físico de compras, e estava mesmo. O bichinho é tão versátil que já foi usado até pra ligar remotamente um Tesla. A idéia em si é bem simples: conectado no Wi-Fi da sua casa, integrado a algum serviço de e-commerce o botão permite uma compra instantânea e desburocratizada.

Claro que não é para iPads ou geladeiras, é para você colocar perto da máquina de lavar e apertar se estiver ficando sem sabão, para deixar perto da impressora caso esteja com pouca tinta ou muito dinheiro. Com o Amazon Prime, com entrega em 1 h em teoria dá até para deixar um do lado da cama para quando ficar sem preservativos e tiver uma companheira muito, muito paciente.

A idéia em si é muito boa pois desburocratiza o processo de compra desse tipo de insumo, sem te forçar a fazer um tipo de assinatura.

Agora há um produto (bem) semelhante em testes no Brasil. O Botão Ainda Sem Nome está em desenvolvimento nos laboratórios da Cielo e da Braspag, um projeto-piloto envolvendo 100 clientes da Organomix irá avaliar usabilidade, retorno, etc. Não, eu não faço parte do projeto. Olha o nome da loja, acha que tem bacon lá?

Um mercado potencialmente atraente para esse tipo de dispositivo são consumidores idosos, com dificuldade de visão e manipulação. Aumentaria muito a qualidade de vida se a pessoa tivesse um botão simples que apertasse e pudesse encomendar Corega, Fanta-Uva e DVDs de NCIS.

É a tal Internet das Coisas chegando, não no melhor momento de nossa economia mas convenhamos… quando foi?

Fizemos uma rápida entrevista com Gastão Mattos, Presidente da Braspag e Danilo Caffaro, Vice-Presidente de Produtos e Negócios da Cielo, aqui as respostas:

execs

Danilo Caffaro (E) e Gastão Mattos (D)

1 — As projeções são de que pela primeira vez em 12 anos o e-commerce em 2016 apresente uma queda em seu crescimento. Quais os desafios de explicar a um mercado em retração que agora é hora de inovar?

(Danilo Caffaro)

O desafio em inovar acompanha a história da Cielo. Temos a inovação em nosso DNA, somos uma empresa inquieta e estamos a todo momento buscando fazer mais e melhor. E se acreditamos na inovação como driver do nosso negócio, esse espírito se faz ainda mais necessário em contextos desafiadores, em que a inovação se torna um diferencial competitivo ainda mais forte também para os nossos clientes.

Foi esse espírito que nos motivou, mais uma vez, a trazer ao mercado brasileiro a primeira experiência de compra por meio de um botão conectado, que incorpora o conceito de “Internet of Things” (IoT).

Nesses últimos anos, acompanhamos a efervescência desse segmento globalmente (desktop, m-commerce e mesmo o f-commerce) e hoje podemos dizer que o comércio online pode estar em qualquer lugar — é agnóstico em relação ao tipo de dispositivo. Ou seja, estamos — Cielo e Braspag — investindo em uma tecnologia que permite que pedidos de compra sejam feitos a partir de qualquer objeto. Basicamente, estamos conectando pagamentos a “coisas” que estão no dia a dia do usuário final. Para nós, inovação é a tecnologia útil que possa ser disponibilizada em larga escala.

(Gastão Mattos)

A desaceleração, se houver, não será inédita, pois já observamos crescimentos deste segmento de 60% ano a ano e, mais recentemente, essa faixa caiu para 15% no ano passado, por exemplo. De qualquer forma, a Internet das Coisas pode agregar um novo mercado ao comércio online, referente a compras recorrentes, como de itens de limpeza e alimentos, que tradicionalmente são feitas em comércios físicos - que, com a comodidade proporcionada pelo acionamento do pedido por meio de um botão, podem migrar para o e-commerce.

2 — Logística sempre foi o Calcanhar de Aquiles no Brasil. A solução do Dash Button está atrelada a algum esforço de agilidade para que a compra não caia no processamento e prazos usuais, diminuindo assim a percepção de agilidade do produto?

(Danilo Caffaro) O nosso objetivo é entregar ao usuário final a experiência de compra mais fluida possível. A inteligência do processo está em gerar o pedido automático e facilitar a etapa do pagamento, tornando-a praticamente imperceptível ao consumidor. Basicamente, preparamos a “estrada” para que a internet das coisas se torne uma realidade no Brasil. Criamos a inteligência para que a nossa plataforma seja capaz de interpretar uma mensagem de pagamento vinda de qualquer dispositivo, por meio das APIs de pagamento.

(Gastão Mattos) Além disso, estamos desenvolvendo as interfaces para nossos clientes utilizarem em suas soluções – com apenas um click em um botão aplicado em um pequeno dispositivo, o consumidor terá seu pedido finalizado e receberá a encomenda no local pré-cadastrado.

A percepção de agilidade está caracterizada na elaboração do pedido de compra e não no fluxo de entrega que observará, em princípio, as mesmas regras de logística das lojas online usuárias do novo serviço.

Como a solução está na fase de piloto (ainda é um protótipo), é importante lembrar que evoluções estão previstas ao longo do cronograma de desenvolvimento.

3 — Qual o fluxo detalhado do processo de compra com o Dash Button? haverá confirmação/acompanhamento via app de celular? Isso significa uma “conta-Cielo” onde o cliente acompanha seus pedidos em todos os Dash Buttons ou isso será específico de cada vendedor?

(Gastão Mattos) Serão duas modalidades de uso.

A primeira associada a um “botão físico”, em protótipo que estamos apresentando agora ao mercado. Nesta modalidade, a loja cliente vai disponibilizar o botão para seus consumidores interessados, que associarão este dispositivo a um pedido pré-definido, meio de pagamento e dados de entrega. Quando o botão for acionado, a plataforma vai automaticamente gerar uma requisição de autorização na Cielo daquele pedido pré-definido.

Por exemplo, no piloto de operação que será implementado no segundo semestre, a loja Organomix (especializada em produtos orgânicos), nosso primeiro parceiro, terá associados ao botão pedidos de itens orgânicos e, uma vez acionado, o processo de autorização e entrega da encomenda será iniciado.

Na segunda modalidade, o fluxo é semelhante — porém, não haverá o botão físico. Ele será substituído por um aplicativo, utilizável em qualquer dispositivo móvel, que funcionará exatamente como o botão descrito.

Para comunicar o pedido ao cliente, a loja poderá enviar um e-mail, como já fazem hoje os principais varejistas online do brasil, confirmando o pedido.

4 — A proposta é disponibilizar o Dash Button gratuitamente, entregar em consignação ou vender? Há alguma estimativa de valores?

(Gastão Mattos) Ainda é cedo para dizer, uma vez que estamos na versão beta, mas imaginamos que o modelo comercial no futuro deva seguir o que já acontece no mercado norte-americano, onde o usuário final adquire o botão da loja para sua conveniência — permitindo ao usuário que ele altere o pedido pré-cadastrado a qualquer momento, de acordo com a necessidade.

Como em qualquer processo de inovação que desenvolvemos, teremos um envolvimento com o varejo nessa etapa piloto. Ainda no segundo semestre deste ano, o projeto contará com cerca de 100 consumidores da Organomix para o piloto da nova tecnologia e, até o final deste ano, a solução será disponibilizada para todo o mercado, por meio físico ou aplicativo.

5 — A API será aberta? O produto será hackeável (no bom sentido) como o da Amazon, que já foi usado até para ligar um Tesla?

(Danilo Caffaro) A Cielo vem buscando desenvolver plataformas abertas que permitam a inovação colaborativa — como já adotamos no e-commerce e no nosso mais recente lançamento, a Cielo LIO. Nesse contexto, buscamos o mesmo conceito de API para a nova tecnologia. Acreditamos que, dessa forma, potencializamos nossa capacidade de inovação. Mais e mais, é assim que a Cielo irá atuar em seu segmento.

Dito isso, é importante frisar que, quando falamos em inovação no nosso segmento, a premissa é a segurança das informações. Por isso, qualquer desenvolvimento segue rígidos padrões internacionais de segurança e certificação do PCI Council. Dessa forma, ainda que estejamos falando em plataforma aberta, os dados de pagamento são sempre protegidos.

6 — Qual a segurança envolvida para evitar o clássico “meu filho apertou o botão a manhã inteira e agora tenho 400 pacotes de toalhas de papel”?

(Gastão Mattos) O objetivo da parametrização é adicionar ainda mais inteligência ao processo, mantendo as regras de segurança. O consumidor poderá, por exemplo, programar a compra de uma “cesta básica” de produtos de uma loja.

É importante frisar que o ferramental criado pela Cielo e pela Braspag permite parametrizar safe cards, ou seja, será possível para o varejista configurar diversos parâmetros para evitar pedidos indevidos. Uma opção é limitar o número de pedidos em determinado período ou apenas liberar para futuras compras após a entrega do pedido anterior.

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