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Microsoft vai transformar o PHP no ASP 2.0?

25/05/2009 às 15:31

Um dos maiores xingamentos que um programador nos anos 90 poderia ouvir era “aspeiro”.

Qualquer programador de respeito gastou meses de sua vida consertando as asneiras que vinham das tais “fábricas de software” e dos “pogramadores” contratados a preço de banana.

Eram horrores como um sistema de importação de dados que abria um recordset em memória com TODO A TABELA PRINCIPAL (sim, SELECT * FROM USUARIOS) depois varria linha a linha, seqüencialmente, em busca do registro a exibir.

Também encontrei um Gênio que guardava os dados do email “esqueci minha senha” (incluindo a senha) em um campo HIDDEN no HTML.


genial.

Do mesmo jeito que o mercado foi inundado por “designers” criadores de logotipos por R$15,00 graças ao CorelDraw, eu culpo a Microsoft pelos “programadores ASP”, formados pelo grupo que achava CLIPPER muito complicado.

Com a entrada de Java no mercado, mais Delphi, a exigência aumentou, e muitos aspeiros sem nenhum conhecimento de lógica (e conseqüentemente sem aquário em casa) se viram desempregados.

Um belo dia surgiu uma ameaça no horizonte: O PHP. Sim, essa linguagem simples, versátil, rápida e muito, muito condescendente com erros dos programadores. É Possível desenvolver sistemas inteiros com metodologia POG, usando PHP. Quem estudou o fonte do PHPNuke sabe bem do que estou falando.

Restrita ao mundo WEB, a princípio o PHP mal-usado não causava danos a ninguém além de seus próprios desenvolvedores, mas agora o Mercado corre o risco de uma nova invasão:
A Microsoft está disponibilizando suporte a PHP em sua plataforma Azure, de Aplicações Web, concorrente do Google App Engine.

O serviço do Google está limitado a Java e Python, já o da Microsoft é aberto para uso com o Visual Studio E linguagens externas, como o PHP.

Será que disponibilizar um serviço de hospedagem de aplicação na Nuvem E acesso a linguagens “populares” é uma boa coisa? Neste artigo do Register o autor discute exatamente isso. Eu acho que ele culpa demais a Microsoft, mesmo descontando sua afirmação de que PHP deveria ser ilegal como apenas uma figura de retórica.

Acredito que o buraco seja mais embaixo. Não é o PHP, nem a Microsoft. É a pressa dos dias de hoje. São os livros “Aprenda XXX em 24 Horas”. Entenda: copiar um script e mudar o valor de uma variável não te torna programador. Se você não sabe usar expressões regulares, você NÃO programa em Perl e se você não sabe quantos bits há em um byte, você NÃO pode ser programador C (embora um estagiário meu tenha dito que era desnecessário).

Não há demérito nenhum em estudar. Bill Gates escreveu uma vez em sua coluna, como dica para iniciantes: “Leia os volumes d ‘A Arte da Programação de Computadores, de Donald Knuth. Faça os exercícios todos. Se chegar ao fim, me mande seu currículo”.

Linguagem é o que menos importa. Você precisa saber resolver problemas usando lógica, aplicar algoritmos consagrados e desenvolver novos, quando necessário.

Principalmente, você tem que fugir da caixa-preta. Posso afirmar sem sombra de Dúvida que uma fração desprezível dos programadores PHP já se deu ao trabalho de estudar o código-fonte do PHP, apenas assumem que ele funciona.

Faça um favor a si mesmo e tire um final de semana para estudar o driver do Linux para dispositivos de armazenamento USB. Vai ser muito melhor pro seu futuro do que escrever mais um “AM I HOT OR NOT” em PHP.

Disponibilizar o PHP no Azure torna a Microsoft popular entre um monte de programadores, mas não faz nada para melhorar esses programadores. Talvez não seja a função da empresa fazer isso, mas seu mantra é DEVELOPERS! DEVELOPERS! DEVELOPERS!, e script kiddies são tudo, menos desenvolvedores.

Se você duvida, pergunte a alguém que precise contratar quanto tempo em média gasta-se até achar um candidato viável. Meu recorde foram quase dois meses de entrevistas, e queria um júnior.

Por puro darwinismo, o Google terá menos, porém melhores projetos, em sua plataforma.

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