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Pentágono vai enfim aposentar os disquetes

Pentágono e outras agências de defesa dos EUA vão modernizar sistemas responsáveis por sua força nuclear até 2020; uma parte ainda usa disquetes de 8″.

26/05/2016 às 11:04

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Em Tecnologia de Informação um dos mantras mais difundidos e nem sempre respeitados é o se funciona, não mexa. Se um sistema está cumprindo com sua principal missão o ideal é não botar a mão, apenas mantê-lo funcionando adequadamente e somente substituí-lo ou quando ele dá pau além de reparos, ou quando sua manutenção não é mais viável economicamente falando.

Por essas e outras que já vi um 386 perdido numa repartição pública, por ser a única máquina com DOS para rodar um programa para imprimir boletos muito específico, feito por um programador que há muito havia partido e por causa disso, ninguém sabia como proceder de outra forma. E como o computador funcionava ele foi mantido até o dia em que queimou, e não haviam mais peças de reposição. Aí tiveram que se virar de outra forma.

O controle de mísseis dos Estados Unidos vai pelo mesmo caminho. O sistema que cuida de todo o arsenal bélico nuclear do país é bastante antigo, datando dos anos 1960. Três bases em especial, localizadas nos estados de Colorado, Nebraska e Wyoming, responsáveis pelos ICBMs LGM-30G Minuteman-III ainda utilizam no seu sistema de lançamento arcaicos disquetes de oito polegadas, que muita gente jamais viu na vida. Mesmo alguns dos técnicos mais novos deslocados para essas bases tomam um susto ao darem de cara com as mídias.

O motivo para o sistema não ter sido atualizado é o mesmo, se funciona mantenha assim. Quando falamos de aplicações militares isso é tão verdade que muita coisa do park militar norte-americano ainda é bem antigo, seja na terra, no mar ou no ar. O A-10 Thunderbolt II é um excelente exemplo, a Força Aérea não consegue se livrar dele principalmente por sua capacidade de aguentar porrada acima da média (para desespero dos mecânicos), mas também porque o pato chamado F-35 ainda não mostrou a que veio.

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Só que tudo tem um limite. O governo dos EUA irá promover uma renovação total de seus sistemas em diversos setores, não só o militar. O Escritório de Contabilidade por exemplo ainda utiliza o IBM Series/1, de 1976. O Tesouro Nacional e o Departamento dos Veteranos, como as bases militares ainda dependem de máquinas de 50 anos de idade. A preocupação é legítima: embora estejam funcionando até hoje, se pifarem o custo para colocá-las no ar novamente será astronômico, isso se encontrarem peças sobressalentes.

E por fim há o custo envolvido. São mais de US$ 61 bilhões/ano em impostos apenas para manter tudo no ar, enquanto apenas US$ 19 bilhões serão necessários para atualizar tudo. Logo foi dada a autorização para modernizar tudo (cuidado, PDF), e o Pentágono informa que os disquetes serão dispensados totalmente até o ano que vem; o processo de modernização será concluído em 2020.

Isso garantirá mais alguns anos de tranquilidade para os militares e outros setores, mas como eu disse não é como se tivessem pressa para trocar tudo. Ao ser indagada do porque o Pentágono ainda utiliza um sistema com disquetes, a tenente-coronel Valerie Henderson foi taxativa:

Porque ele ainda funciona.”

Fonte: BBC.

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