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Alegando cunho político, Apple rejeita jogo palestino

Tentando retratar os horrores da guerra, jogo palestino Liyla and the Shadows of War foi barrado pela Apple e justificativa dada pela empresa seria a sua proposta política.

20/05/2016 às 8:31

Liyla-and-the-Shadows-of-War

A Apple costuma ter uma política bastante rígida quando se trata do que é vendido na sua loja virtual e ao tentar publicar sua criação por lá, um desenvolvedor palestino recebeu uma notificação da empresa pedindo que ele deixasse de tratá-la como um jogo. O motivo dado por eles? O conteúdo político presente na obra.

Criado por Rasheed Abueideh, Liyla and the Shadows of War é um curto jogo onde controlamos um sujeito que se desloca por uma zona de guerra com o objetivo de proteger sua família. Com uma ambientação e uma direção artística bastante sombria, ele tenta passar o terror de uma situação como essa ao nos colocar para tomar algumas decisões e ainda aproveitando o final para mostrar alguns fatos sobre os conflitos na Faixa de Gaza, como por exemplo os efeitos da guerra nas crianças e mulheres.

Porém, de acordo com a Apple o título não pode ser considerado um jogo, mas sim uma declaração política e por isso eles enviaram a seguinte mensagem ao game designer:

Como discutimos, por favor revise a categoria para o seu aplicativo e remova-o dos Games, já que descobrimos que o seu app não é apropriado para a categoria Games. Seria mais apropriado colocá-lo em Notícias ou Referência, por exemplo. Além disso, por favor revise o texto de divulgação do seu app para remover referências a ele ser um jogo.

Como era de se esperar, não demorou para o Twitter entrar em polvorosa, com várias pessoas defendendo o desenvolvedor e citando exemplos de outros títulos que abordam temas parecidos, mas estão disponíveis na App Store, como o excelente This War of Mine.

O maior problema nisso tudo é que esta não é a primeira vez que a empresa toma uma atitude tão estúpida, com jogos como o Papers Please, Sweatshop HD e Endgame Syria tendo sido rejeitados pelo mesmo motivo e até o The Binding of Isaac, que Ed McMillen disse ter sido baseado em abusos sofridos em sua infância também não tendo passado pelo pente fino dos censores da App Store.

Como essa postura da Apple não dá sinais de que será alterada, nos resta conhecer o Liyla and the Shadows of War em um dispositivo Android, onde ele inclusive pode ser obtido gratuitamente e como agora o jogo está ganhando destaque em vários meios de comunicação, quem sabe o seu criador não resolva aproveitar os holofotes para trazê-lo para o PC.

Fonte: Wired.

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